O Arminianismo e a Questão do Mérito

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– Paulo Cesar Antunes


Não são poucos aqueles que alegam que o Arminianismo faz a salvação não ser uma obra puramente da graça. Ainda que Arminius tenha respondido esta questão de forma satisfatória, muitos calvinistas não estão convencidos.

Para responder, a primeira coisa que precisamos entender é: quando se caracteriza o mérito? Mérito há quando alguma pessoa faz algo por merecer, passando a ser digna de alguma recompensa. Se um empregado trabalha durante um mês, seu salário é uma questão de direito. Ele fez por merecer. Por outro lado, se esse mesmo empregado faltou ao trabalho sem justo motivo durante todo o mês, ele não teria o que reivindicar. Ele não fez nada por merecer. Caso seu patrão ainda assim lhe pague é por pura generosidade.

Um pecador se encontra numa situação parecida com a desse relapso empregado. Ele não tem o que reclamar a Deus. Deus não lhe deve nada. Se, mesmo assim, por pura generosidade e misericórdia, Deus lhe concede salvação, este pecador continua sem mérito algum, ainda mais quando levamos em consideração que ele é salvo através dos méritos da morte de Cristo. Cristo sofreu em seu lugar. Ele não sofreu nem sofrerá a pena por nenhum de seus pecados. No entanto, o pecador precisa crer no sacrifício de Cristo. Só assim ele obtém os benefícios de Sua morte. É exatamente neste ponto que levantam contra o Arminianismo a acusação de mérito, pois se a fé verdadeiramente precede a regeneração, e a fé é algo que o pecador precisa ter e não que Deus irresistivelmente a dá, segue-se que crer torna o pecador merecedor da salvação.

Essa objeção não procede por algumas razões. Primeiro, porque merecedor o pecador somente seria se fosse salvo pelas obras, e a Bíblia deixa nítido o contraste entre fé e obras:

Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé (Rm 3.27).

Segundo, porque a fé não é algo que o pecador faz para merecer a salvação, mas para recebê-la. E é completamente ilógico afirmar que uma pessoa indigna ganhe crédito por aceitar um presente doado liberalmente. Aceitar um presente não transforma alguém indigno em digno de recebê-lo. Se assim fosse, esse presente deixaria de ser o que é, uma doação generosa, e passaria a ser uma dívida. Pois, admitir esta hipótese é chegar à conclusão absurda de que seria impossível doar um presente a alguém que não o merece, porque, logo que esse alguém o aceitasse, passaria a ser merecedor dele.

Terceiro, porque o que acompanha a fé salvadora é justamente o reconhecimento de falta de mérito. Quando um pecador se lança aos pés de Jesus, ele está reconhecendo justamente sua total incapacidade de salvar a si próprio. Ele deposita sua confiança, não em seus próprios esforços, mas na obra expiatória de Cristo. Dizer que alguém tem méritos por reconhecer sua falta de méritos é tão absurdo quando afirmar que alguém é forte por reconhecer sua fraqueza.

Na melhor das hipóteses os calvinistas concordariam perfeitamente com o que foi dito, mas o que eles alegam é que, se de si próprio o homem gerar algo que o beneficie em sua própria salvação, a salvação deixa de ser totalmente pela graça de Deus. Mas o Arminianismo não ensina que a fé é gerada pelo homem. É, da mesma forma que no Calvinismo, uma obra da graça. A diferença apenas é que, o Calvinismo vê a fé como um dom incondicional e irresistível àquele que foi eleito, enquanto o Arminianismo ensina que a fé é um dom no sentido que a fé não seria possível sem o auxílio da graça. Na concepção arminiana, o Espírito Santo trabalha no coração do pecador, não tornando a fé necessária, mas possível. Isto quer dizer que o homem tem liberdade para aceitar ou rejeitar a graça que lhe é oferecida. Deus concede fé salvadora àqueles que se mostram receptivos à Sua graça.

Os calvinistas objetam que, se for assim, então o homem tem verdadeiramente uma parte em sua salvação, tornando-a uma obra conjunta entre Deus e o homem. É necessário ressaltar que a fé não é a parte do homem na salvação, mas o meio pelo qual ele a recebe. Não é que o homem faz uma parte e Deus faz o resto. A fé é justamente a confiança que Deus fará tudo (não somente uma parte) o que for necessário para a sua salvação. Como o calvinista J. Gresham Machen acertadamente coloca:

A fé do ser humano, corretamente concebida, não pode nunca permanecer em oposição à plenitude com a qual a salvação depende de Deus: nunca pode significar que o ser humano faz uma parte enquanto Deus apenas faz o resto, pela simples razão de que a fé não consiste em fazer alguma coisa, mas em receber alguma coisa. [1]

Mas ainda assim os calvinistas querem saber dos arminianos: se a salvação é inteiramente pela graça, por que uma pessoa crê e outra não? Ou, como Sproul sarcasticamente coloca, “Por que você reconheceu sua desesperada necessidade de Cristo, enquanto seu vizinho não o fez? Foi porque você era mais justo que seu vizinho, ou mais inteligente?”[2] Sproul está insinuando que, no Arminianismo, o que diferencia um crente de um incrédulo não é a graça de Deus, mas a vontade do homem. Esta objeção é um tanto capciosa, e, para respondê-la, alguns esclarecimentos são necessários.

O homem é uma pessoa, criado à imagem e semelhança de Deus. Dessa forma Deus o trata, como pessoa. Numa relação pessoal você influencia e espera ser correspondido. A decisão de corresponder ou não tem que estar em poder da pessoa que está sendo influenciada, não da que influenciou. Não é inteligente nem gratificante causar amor em outra pessoa. Ainda que Deus detenha esse poder, usá-lo seria esvaziar o amor de sua beleza. Amor é conquistado, não causado. Amor irresistivelmente causado é uma ilusão.

O Calvinismo enxerga a relação entre Deus e o homem de outra forma. Sproul, por exemplo, nos explica como Deus produz fé no homem:

Para receber o dom da fé, de acordo com o calvinismo, o pecador também deve estender a sua mão. Mas ele assim o faz apenas porque Deus mudou a disposição do seu coração para que ele mais certamente deseje estender a sua mão. Pela obra irresistível da graça, ele nada fará a não ser estender a sua mão. Não que ele não pudesse reter a sua mão mesmo se não quisesse, mas ele não pode não querer estender a sua mão. [3]

Ou seja, Deus causa fé no homem, o homem não tem outra escolha a não ser crer. Isso é um tanto estranho para uma relação pessoal. Schaff deve ter percebido esta implicação quando disse que “ninguém é salvo mecanicamente ou pela força.”[4] Não é que os calvinistas concebem que o homem se relaciona com Deus como uma máquina, mas apenas que a resposta do homem é o efeito inevitável da causação divina.

Então, respondendo a pergunta ‘por que uma pessoa crê e outra não?’, respondemos que Deus, como Ser pessoal, quis relacionar-se com Suas criaturas como seres pessoais, de forma recíproca.

Mas esta resposta ainda não satisfaz. Os calvinistas ainda querem saber: “Se todos recebem uma medida suficiente da graça de Deus para ser salvos, e alguns não se salvam, o que diferenciou um salvo de um não salvo? Não pode ter sido a graça de Deus, visto que todos a receberam.”

Esta objeção parece desprezar um ponto fundamental da teologia arminiana. Ora, se Deus nos deu real liberdade de escolha, obviamente nossa escolha será decisiva em nossa salvação. Não seremos salvos pela nossa escolha, mas sem nossa escolha não seremos salvos de forma alguma.

Mas a objeção é capciosa por dois motivos. Primeiro, ela coloca ênfase demais na resposta do homem, fazendo-a parecer o fator preponderante na salvação. A resposta do homem é um fator importante, mas não preponderante. Ela, por exemplo, teria alguma utilidade se Deus não a considerasse relevante? Obviamente, se colocarmos ênfase demais em um fator (seja a resposta do homem, seja a morte de Cristo, seja o convencimento do Espírito Santo), e desprezarmos os outros, somos levados a crer que aquele é o fator preponderante, quando, na verdade, não o é. O fato é que existem vários fatores envolvidos na salvação, sendo a resposta do homem apenas um deles, mas a base da nossa salvação não é outra coisa senão a justiça de Cristo imputada ao crente, e esta obra é de Deus apenas. Por mais objeção que o calvinista levante, a base da salvação no Arminianismo continua a mesma: a justiça de Cristo. E isso nos dá todo o direito de creditar toda a nossa salvação a Deus. A fé não é a base, mas a condição da salvação. Se os calvinistas fizessem esta distinção, teriam poupado os arminianos de mais esta acusação.

O que, também, eles não levam em consideração quando fazem esta objeção é que a fonte de todos os fatores envolvidos na salvação é a graça de Deus. Dela flui tudo o que nos é necessário, inclusive a concessão graciosa de decidirmos juntamente com Ele o nosso destino eterno.

E o segundo motivo dessa objeção ser capciosa é que, se não for assim, teríamos que adotar a desagradável seleção arbitrária, da qual estamos justamente querendo fugir.


[1] J. Gresham Machen, citado em J. I. Packer, Fundamentalism and the Word of God, p. 172.

[2] R. C. Sproul, Eleitos de Deus, p. 93.

[3] R. C. Sproul, Sola Gratia, p. 147.

[4] Philip Schaff, History of the Christian Church, Livro 3, Capítulo XIV, § 114.

Fonte: Arminianismo.com

 

A Doutrina da Eleição

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Calvinismo, Arminianismo e o equilíbrio da doutrina batista
Pr. Jorge Pinheiro[1]
Algumas questões metodológicas
Em primeiro lugar devemos ver a relação entre teologia e doutrina. A teologia é uma construção racional, lógica, que parte de dois princípios: o princípio arquitetônico, que é a revelação, a palavra de Deus; e o princípio hermenêutico, instrumental, que fornece equipamento técnico para a análise do texto escriturístico.
A teologia serve assim, a partir desses dois princípios, um divino e outro humano, para contextualizar a palavra de Deus e responder aos desafios do tempo presente, armando e fortalecendo a igreja. Apesar desse importante serviço, a teologia é sempre passageira e precária. Não é revelação.
Já a doutrina é fundamento bíblico que norteia nossa fé e ordem. Não tem base nos arrazoados de grandes teólogos, mas na revelação. Nesse sentido, teologia e doutrina são diferentes. E nós devemos entender isso.
Em segundo lugar, devemos saber que quando o infinito cruza com o finito surgem questões impossíveis de serem respondidas a contento a partir de nossa perspectiva finita. Entre esses podemos citar a encarnação, a kenosis e a ressurreição de Cristo. Uma outra questão difícil, por implicar nesse cruzamento da infinitude da soberania de Deus e a liberdade de escolha da imago Dei, é a teologia da eleição.
Nesse sentido, há teologias, como a calvinista, que olham esta questão difícil da eleição a partir do infinito, de cima, exclusivamente. E há outras teologias, como a arminiana, que olham esta questão difícil da eleição apenas a partir do finito, de baixo.
Mas há uma outra maneira de olhar a questão da eleição, a partir da humildade do reconhecimento que estamos diante de um cruzamento do divino com o humano, do infinito com o finito, daquilo que está em cima com aquilo que está em baixo. E é exatamente esta perspectiva, humilde, bíblica e, por isso, doutrinária que orienta o pensamento batista nesta difícil questão.
A teologia da eleição segundo Lutero
Para entendermos a teologia da eleição no calvinismo e no arminianismo temos que começar a partir da visão de Lutero. A compreensão de Lutero tem por base a sua leitura da Carta de Paulo aos Romanos, e a partir daí de sua teologia da cruz. Segundo Walther von Loewenich, um especialista na vida e obra do reformador alemão, “a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. Ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia.”[2]Nessa teologia, Deus vem até aqui embaixo e a expiação acontece quando Deus chega até o ser humano, que vive sob a ira da lei. Deus é satisfeito, aplacado, quando o movimento divino em direção ao humano resulta em fé. Ocorre, então, uma “alegre troca”: Jesus toma a natureza pecaminosa e entrega ao ser humano sua vida justa e imortal. E nessa teologia da cruz de Lutero está embutida a primeira compreensão que a Reforma fez da eleição de Deus.
Para Lutero, conforme expôs no Prefácio a Carta de Paulo aos Romanos, “você deve seguir o raciocínio desta carta na ordem em que é apresentada. Fixe sua atenção, primeiro que tudo no Evangelho de Cristo, de maneira que você possa reconhecer seu pecado e a Sua graça. Então lute contra o pecado, conforme os capítulos de um a oito tem lhe ensinado a fazer. Finalmente, quando você chegar ao capítulo 8, debaixo da sombra da cruz e do sofrimento, passe para os capítulos de 9 a 11 que lhe ensinarão sobre a providência e o conforto que ela é.”
Assim, para Lutero, a eleição era uma garantia, era esperança. Pois, nos momentos de sofrimento, de cruz e das angústias da morte, é a providência divina, através da eleição, que nos dá garantia da presença da graça em nossas vidas. É por isso que ele disse: “Há uma medida adequada, hora e idade para o entendimento de toda doutrina.”
Dessa maneira, para o reformador, o caminho cristão começa com o ato de ouvir o Evangelho, com o reconhecimento de nosso pecado, mas também da graça de Deus, em Cristo, derramado sobre nós. Continua no correr de nossa vida com a luta contra o pecado e, finalmente, quando debaixo da sombra da cruz e do sofrimento, é a providência de Deus, manifesta na eternidade, através da eleição, que garante a esperança e nos dá conforto.
A teologia da eleição segundo Calvino
Calvino partiu dos mesmos textos de Lutero, principalmente da Carta de Paulo aos Romanos, mas inverteu a maneira de ver de Lutero. Se para Lutero, o ser humano não tem como discutir e mergulhar na compreensão da soberania de Deus e teologizar sobre ela e, por isso, a eleição deve ser vista como garantia de nossa esperança, principalmente nos momentos de dificuldades e sofrimentos, para Calvino a base da vida cristã é a escolha eterna de Deus. Assim, na teologia, não seria fim, mas começo e centralidade.
Tanto em seu Comentário sobre a Carta aos Romanos, como nas Instituições da Igreja Cristã, Calvino constrói uma teologia da eleição que tem por base a soberania de Deus. E olha a eleição sempre do “ponto de vista” de Deus, de cima, descartando uma leitura a partir da imago Dei e a possibilidade de escolha humana.
Segundo o teólogo batista Timothy George,[3] a doutrina da predestinação em Calvino pode ser definida em três palavras: absoluta, particular e dupla. É absoluta já que não está condicionada a nenhuma contingência finita, é particular no sentido que pertence a indivíduos e não a grupos. E, por fim, é dupla: Deus, para o louvor de sua misericórdia, elegeu uns para a vida eterna, e, para o louvor de sua justiça, outros para a perdição eterna.
A posição de Calvino, quando relaciona eleição e salvação, pode ser traduzida no seguinte silogismo: (1) A certeza da salvação depende do decreto eterno de Deus; (2) aqueles que crêem foram escolhidos por Deus desde a eternidade; (3) se eu creio, logo serei salvo, porque fui escolhido.
A historiografia dos séculos 16 e 17 mostra que a doutrina da predestinação absoluta defendida por Calvino enfrentou séria oposição não somente nos meios teológicos, mas de pastores e crentes. Entre esses opositores podemos citar Erasmus,[4] o movimento anabatista e dois fundadores do pensamento batista na Inglaterra: John Smyth[5] e Guilherme Dell.[6] Mas, historicamente, seu opositor mais conhecido foi Jacobus Arminius.
Apesar da oposição que a leitura de Calvino produziu no mundo protestante, sua leitura da eleição, para seus defensores, deve ser entendida como uma garantia nos momentos de provação e uma confissão à graça de Deus.
A teologia da eleição segundo Arminius
Já a doutrina da predestinação defendida por Jacobus Arminius[7] (1560-1609) parte de uma perspectiva diferente: o papel da graça diante da depravação humana, a eleição condicional, a graça resistível, a expiação não limitada – Cristo morreu por todos – e a possibilidade de perda da salvação. Assim, para o arminianismo a eleição é condicionada pela fé.
Em sua Declaração de Sentimentos, apresentada à igreja holandesa em 30 de outubro de 1605, ele sintetizou a sua posição em cinco pontos:
1 – Capacidade humana e liberdade de escolha:
Todos os homens embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece;
2 – Eleição condicional:
Deus elegeu os homens que ele previu que teriam fé em Cristo;
3 – Expiação ilimitada:
Cristo morreu por todos os seres humanos, em todas as épocas e lugares;
4 – Graça resistível:
Os homens podem resistir à Graça de Deus para não serem salvos;
5 – Decair da Graça:
Homens salvos podem perder a salvação caso não perseverem na fé até o fim.
Arminius defendeu uma posição sublapsariana, alertando para o fato de que Deus não predetermina ninguém para a perdição.
Segundo Arminius, Deus em seu decreto escolheu seu Filho como Salvador para mediar a favor daqueles pecadores que se arrependem e crêem em Cristo, e para administrar os meios eficientes e eficazes para a fé de cada um deles. Assim, para ele, Deus decreta a salvação e a perdição de pessoas em particular com base na onisciência divina da fé e perseverança de cada indivíduo.
Na verdade, a tensão da discussão entre predestinação absoluta ou predestinação condicional gira ao redor da compreensão de duas doutrinas: graça e eleição. Tomamos por base, a partir de Arminius, o arrazoado que o apóstolo Pedro faz em sua segunda epístola, explicando esta questão. Ele nos mostra que a expiação não tem limites:
Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada, pelo contrário, ele é longânime para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” 2Pe 3.19 e também 1Jo 2.2 e 2Co 5.19.
A graça e a expiação têm eficiência e eficácia ilimitadas, mas há uma chave para que a função graça e função expiação sejam plenamente exercidas. E essa chave está no final do versículo acima citado: “que todos cheguem ao arrependimento.
O sacrifício pleno, eficiente e eficaz de Cristo (graça não limitada) deve ser somado ao arrependimento, produzindo então a salvação. Ou seja: expiação não limitada mais arrependimento = salvação.
O sacrifício pleno, eficiente e eficaz de Cristo (graça não limitada) sem o arrependimento produz justiça. Ou seja:expiação não limitada menos arrependimento = justiça.
A verdade, para Arminius, é que o valor da cruz não é limitado, mas sua aplicação sim. Para ele, todos estamos predestinados à salvação, mas a eleição depende do arrependimento. Por isso, para Arminius, que Deus decreta a salvação e a condenação de pessoas em particular com base no conhecimento divino da fé e perseverança de cada um em particular.
A partir desse pastor holandês, podemos dar uma explicação lógica e plausível para o texto de 2Pe 2.1: “Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até a ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.
A teologia de Jacobus Arminius ressalta a liberdade humana. Acreditava no pecado original, considerava que a vontade do homem natural caído está degenerada, incapacitada para produzir qualquer bem espiritual. Nesse sentido seu conceito de liberdade humana diferia da visão de Pelágio.
Jacobus Arminius influenciou profundamente a teologia de John Wesley, o metodismo e o protestantismo de missões. É interessante notar, também, que o pensamento de Arminius antecede os padrões de pensamento do Iluminismo.
Em resposta às críticas do arminianismo, a Igreja Reformada da Holanda se reuniu em concílio, e assim os presbiterianos produziram um documento que ficou conhecido como:
Os cinco pontos do Calvinismo
O termo calvinismo é dado ao sistema teológico exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). Seu sistema de interpretação bíblica, no entanto, sofreu uma releitura ao ser resumido em cinco pontos, conhecidos como “os cinco pontos do Calvinismo” ou TULIP, em inglês.
De 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619 reuniu-se na cidade de Dort, na Holanda, um concílio presbiteriano para discutir a controvérsia entre arminianos e calvinistas. Arminius (1560-1609) já tinha morrido e, logicamente, Calvino também (1509-1564). O concílio analisou cinco questões: predestinação, expiação, fé, graça e perseverança dos santos. Ao final do Concílio de Dort, os presbiterianos aprovaram os “cinco pontos do calvinismo.”[8]
Eis a TULIP:
1 – Total Depravity (Depravação total)
Todos os seres humanos nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais;
2 – Unconditional Election (Eleição incondicional)
Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles;
3 – Limited Atonement (Expiação limitada)
Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;
4 – Irresistible Grace – (Graça Irresistível)
A Graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles;
5 – Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos)
Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá a salvação.
Essa leitura do calvinismo é chamada por alguns teólogos batistas de hipercalvinismo, e se caracteriza pela negação da idéia de que a chamada do Evangelho se destina àqueles que não são eleitos. É a negação da idéia de que a fé é o dever de cada um que ouve o Evangelho. Ou seja, é a crença de que Deus planejou o mundo de tal forma que causas secundárias, ou seja, nossas ações, não são necessárias de modo algum, pois, se Deus já escolheu quem vai ser salvo, não é necessário pregar o Evangelho. Esta visão não reflete o calvinismo histórico.
A doutrina batista sobre eleição
A partir do que vimos, podemos dizer que existem três tendências no pensamento teológico em relação à doutrina da eleição, em especial à tensão existente entre a soberania de Deus e a liberdade de consciência e ação e ao uso pleno da razão por parte do ser humano.
A tendência chamada minimalista, que olha a questão de cima, a partir da soberania de Deus, e nega toda a possibilidade da liberdade humana, de consciência livre e escolha. A tendência chamada maximalista, que olha a questão de baixo, a partir de nossa humanidade, e não vê limitação à possibilidade do ser humano responder de forma livre ao chamado de seu Criador.
Mas há uma superação dialética dessa contradição, que defende que o ser humano pode e deve apoiar sua resposta à eleição e ao chamado de Deus em sua liberdade de ação e consciência, assim como no uso da razão, embora tal processo deva ter como ponto de partida a revelação. Vamos analisar, então, o pensamento doutrinário batista:
Eleição é a escolha feita por Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer mérito, mas segundo a riqueza da sua graça. Antes da criação do mundo, Deus, no exercício de sua soberania divina e à luz de sua presciência de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos, aceitariam livremente o dom da salvação. Ainda que baseada na soberania de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um e de todos os seres humanos. A salvação do crente é eterna. Os salvos perseveram em Cristo e estão guardados pelo poder de Deus. Nenhuma força ou circunstância tem poder para separar o crente do amor de Deus em Cristo Jesus. O novo nascimento, o perdão, a justificação, a adoção como filhos de Deus, a eleição e o dom do Espírito Santo asseguram aos salvos a permanência na graça da salvação.”[9]
Reconhecemos que existe uma tensão entre infinito e finito, entre o que está em cima e o que está embaixo. Mas, para nós batistas, a doutrina da eleição é uma síntese, que equilibra a tensão. Dessa maneira, segundo Sua graça imerecida, Deus opera a salvação em e através de Cristo, de pessoas eleitas desde a eternidade, chamadas, predestinadas, justificadas e glorificadas à luz de Sua presciência e de acordo com o livre arbítrio de cada um e de todos. [Veja os seguintes textos: 1Pe 1.2; Rm 9.22-24; 1Ts 1.4; Rm 8.28-30; Ef 1.3-14].
E assim a doutrina batista apresenta seus quatro pontos:
1. Todos são eleitos.
2. Deus opera a salvação ematravés de Cristo pelo favor imerecido de sua graça.
3. Deus é pré-ciente.
4. De acordo com o livre-arbítrio, desde a eternidade, Deus elege, chama, predestina, justifica e glorifica.
Nós batistas entendemos que salvação implica em regeneração, que é ato inicial em que Deus faz nascer de novo o pecador perdido. É obra do Espírito Santo, quando o pecador recebe o perdão, a justificação, a adoção de filho de Deus, a vida eterna e o dom do Espírito Santo. Neste ato de regeneração, o novo crente é batizado com o Espírito Santo e é por ele selado para o dia da redenção final, liberto do castigo eterno de seus pecados.
Há duas condições para o pecador ser regenerado: arrependimento e fé. O arrependimento implica em mudança radical do homem interior, que significa afastar-se do pecado e voltar-se para Deus. A fé é a confiança e aceitação de Jesus Cristo como Salvador e a total entrega da personalidade do pecador a Ele. Nessa experiência de conversão o ser humano perdido é reconciliado com Deus, que lhe concede perdão, justiça e paz.[10]
Assim, a partir da consistência ontológica do humano, somos levados à necessidade de uma análise antropológica para a teologia. Quando descartamos a reflexão sobre o ser humano a quem Deus fala, temos um discurso meramente ideológico, distanciado do homem e da mulher verdadeiros e da realidade em que vivem e transformam. Temos, então, um ser humano-mito, onde os fatos natural e histórico transformam-se em alegoria.
O pressuposto fundamental dessa reflexão antropológica para a teologia é a imago Dei, que traduz a verdade de que a compreensão de Deus, através de seu Cristo, leva à compreensão do ser humano e de sua razão de existir. Não se trata de conhecer o ser humano para conhecer a Deus, porque o homem não é Deus, mas o contrário. Nesse sentido, a antropologia correta parte da revelação. Não utilizamos o conceito do teólogo Tomás de Aquino de analogia em seus dois sentidos, como se fosse possível ao homem conhecer a Deus a partir de si próprio, mas acreditamos que as necessidades e anseios do espírito humano apontam para aquilo que ele perdeu.
Se a revelação é uma conversa entre Deus e o ser humano, em Cristo, é a partir desse diálogo que temos os elementos fundamentais para conhecer aquilo que Deus deseja que sejamos. Nesse sentido, por mais decaído que esteja o ser humano, ainda lhe resta a liberdade de consciência necessária para aceitar ou não esse diálogo proposto pelo Criador.
Por isso, nós batistas consideramos que a missão do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando a reconciliação do ser humano com Deus. É dever de todo discípulo de Jesus Cristo e das igrejas proclamarem, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, fazendo novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações. Cabe às igrejas batizá-los, ensinando-os a observar o que Jesus ordenou. A responsabilidade da evangelização estende-se até os confins da terra e, por isso, as igrejas devem promover a obra de missões, pedindo a Deus que envie obreiros para a sua seara.[11]

[1] Jorge Pinheiro é pastor auxiliar da Igreja Batista em Perdizes (SP/Capital) e professor de Teologia Sistemática na Faculdade Teológica Batista de São Paulo.
[2] Walther von Loewenich, A Teologia da Cruz de Lutero, São Leopoldo, Sinodal, 1988, pp. 11 e 12.
[3] Timothy George, Teologia dos Reformadores, São Paulo, Edições Vida Nova, 1994, p.232.
[4]
Desidério Erasmus (1486-1536) teólogo e erudito, em 1524 escreveu, em polêmica com Lutero, Diatribe sobre o Livre Arbítrio. Carl Bangs, Arminius, A Study in the Dutch Reformation, NY, Abingdon Press, 1971, pp. 90 e 102.

[5] John Smyth (1610-1612), primeiro pastor batista na Inglaterra, levantou a bandeira da “liberdade de consciência absoluta”in Zaqueu Moreira de Oliveira, Liberdade e Exclusivismo: Ensaios sobre os Batistas Ingleses. Rio de Janeiro: Horizonal; Recife: STBNB Edições, 1997, p. 83.
[6] Pensador batista inglês, “Dell usou cada oportunidade que teve para defender a liberdade de consciência. Ele considerou o uso de coação uma invenção humana, algo deletério que não tinha lugar no reino de Cristo.” Zaqueu Moreira de Oliveira, op. cit., p. 104-106. Dell escreveu Uniformidade Examinada e apoiou a revolução inglesa (1642-1649), dirigida por Oliver Cromwell.
[7] Obras de Jacobus Arminius: Exame do Panfleto de PerkinsDeclaração de SentimentosControvérsias Públicas,Setenta e Nove Controvérsias Particulares in Carl Bangs, Arminius, A Study in the Dutch Reformation, NY, Abingdon Press, 1971, pp.206-221; 307-316; e Arminianismo e Jacobus Arminius, in Enciclopédia Histórico-Teológica, São Paulo, Edições Vida Nova, 1993, pp. 112-114.

[8] Júlio Andrade Ferreira (org.), Antologia Teológica, São Paulo, Novo Século, 2003, p. 698.
[9] Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, “Eleição”, in Rumo e Prumo, terceira edição, Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, secção do Estado de São Paulo, dezembro de 2004, p. 26.
10]Salvação”, in Rumo e Prumo, terceira edição, Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, secção do Estado de São Paulo, dezembro de 2004, p. 25.
[11]Evangelização e Missões”, in Rumo e Prumo, op. cit., p. 28.

 

A Beleza de Jesus Cristo

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_____________________________________________________________________C. I. Scofield

Em Ct 5.16 lemos: “… ele é totalmente desejável.” Isso não pode ser dito a respeito de nenhum outro a não ser de Jesus Cristo. Qualquer outra grandeza é corrompida por pequenez, qualquer outra sabedoria é arrasada por tolice, qualquer outra bondade vem maculada por imperfeição. Jesus Cristo é o único do qual se pode afirmar que n’Ele tudo é amável e belo.

Sua beleza reside em Sua perfeita humanidade. Ele se identificou conosco em tudo, exceto com nosso pecado e com nossa natureza má. Ele teve de crescer fisicamente – como nós – mas Ele também cresceu na graça. Ele trabalhou, chorou, orou e amou. Em todas as coisas Ele foi tentado como nós – mas permaneceu sem pecado.

Como Filho de Deus, Ele entra em nossa vida no século XX de maneira tão simples e natural como se tivesse morado em nossa rua. Ele é um dos nossos em tudo. Ele entra em uma vida cheia de pecado assim como um rio limpo e transparente lança suas águas em um lago parado. O rio não teme a contaminação, é ele que limpa o lago com sua força.

Cristo também possui perfeita compaixão. Pensemos apenas no “rebanho sem pastor” ou na viúva enlutada de Naim. Será que alguma vez você viu Jesus procurando pessoas que “mereciam” que Ele se compadecesse delas? Dele está escrito simplesmente que: “… compadeceu-se dela e curou os seus enfermos” (Mt 14.14b). Que glória reside em sua misericórdia! Naquela época significava contaminação a aproximação com os pobres leprosos, mas o contato com a mão de Jesus os curava e purificava.

A perfeita humildade de Jesus Cristo é extremamente amável. Ele, o único que poderia ter escolhido como desejava nascer, entrou nesta vida como um dentre muitos. Ele disse: “… no meio de vós, eu sou como quem serve” (Lc 22.27b), e está escrito que Ele “deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo 13.5). E também está escrito que Ele “quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1Pe 2.23).

Jesus Cristo também possui perfeita mansidão. Como Ele é meigo, mas também fiel, altruísta e devotado. Quando falou com a mulher calada, desesperada, depois que os seus acusadores foram se retirando um por um, toda a Sua amável mansidão se mostrou.

Até na hora da Sua morte, Ele ouviu o clamor de uma fé em desespero. Antigamente, quando os vencedores voltavam das guerras, traziam seus prisioneiros mais importantes como troféus de vitória. Para Jesus Cristo foi suficiente chegar ao céu trazendo a alma de um ladrão.

Finalmente, olhemos para Seu perfeito equilíbrio interior. Ainda poderíamos falar muito sobre Sua dignidade, sua varonilidade, sobre Sua coragem. Nele se unem traços de um caráter perfeito e formam um equilíbrio maravilhoso. Sua mansidão nunca é delicada demais, sua coragem jamais é bruta.

Ele não é totalmente desejável? Você quer aceitá-lO como Salvador pessoal e igualmente descobrir Sua glória? Ele próprio disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47).

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Fonte: Arminianismo.com

 

Eleição Incondicional e Expiação Universal

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Roger E. Olson

Contrário ao que um participante afirma, o Calvinismo clássico crê que a eleição de Deus de pessoas para salvação é absolutamente incondicional. Dizer que não é absolutamente incondicional porque ela é baseada no “beneplácito” de Deus não colabora em nada para aliviar o problema. Quais seriam as causas do “beneplácito” de Deus na eleição de uma pessoa para salvação e não de outra? Tenho lido literalmente inúmeros autores calvinistas clássicos sobre este mesmo assunto (de Calvino a Piper) e não encontrei nenhum palpite de por que Deus escolhe uma pessoa e rejeita outra. A resposta é sempre um apelo ao mistério ou algo como “Deus tem suas boas razões” (sem qualquer sugestão de quais elas poderiam ser), ou “de acordo com seu beneplácito,” que nem ao menos começa a responder a pergunta. Jonathan Edwards foi consistente ao admitir que é uma escolha arbitrária da parte de Deus. Gostaria que mais calvinistas contemporâneos admitissem isso.

Penso que há uma grande diferença entre intencionalmente preordenar alguns ao inferno (o que, como Sproul corretamente chama a atenção, é o corolário necessário da preordenação ao céu) e criar pessoas sabendo que elas livremente escolherão o inferno e não o céu. A diferença chave é a deliberação em relação à pessoa. No Calvinismo clássico Deus na verdade quer que a pessoa preordenada ao inferno vai para lá “para sua glória” (ainda que, como alguns calvinistas alegam, ele faz isso relutantemente). E ele o torna certo.

Não adianta dizer que Deus ama e abençoa os reprovados (como Piper e outros calvinistas contemporâneos dizem). Tudo isso é como dizer que ele os dá um pouquinho do céu para levá-los ao inferno. Teria sido melhor não tê-los criado em primeiro lugar.

Finalmente, a objeção à criação de Deus de pessoas preconhecidas como reprovando a si mesmas (por resistir à graça de Deus) é falaciosa. Deus sabe que elas irão reprovar-se porque elas irão reprovar-se. Seu preconhecimento de suas escolhas livres não dá a Deus a chance de não criá-las (a menos que alguém crê no conhecimento médio, o que não é o meu caso).

Alguns aqui argumentam que a crença arminiana na expiação universal necessariamente leva ao Universalismo (isto é, a crença de que todos serão salvos). Novamente, isto é simplesmente falso. Até Calvino (para não falar de muitos calvinistas posteriores) cria que a própria expiação não salva. Ela “assegura a salvação” aos eleitos, eles dizem. A pessoa eleita por quem Cristo morreu é somente salva quando ele ou ela cumpre certas condições que Deus provê através da graça regeneradora (a saber, os dons de arrependimento e fé).

O argumento que o inferno, combinado com a expiação universal, seria injusto (porque a mesma pessoa seria punida duas vezes pelos mesmos pecados) é também falacioso. Pense numa analogia. Quando Jimmy Carter foi eleito presidente, ele deu anistia total aos opositores da Guerra do Vietnã que fugiram dos Estados Unidos para o Canadá e outros países. Eles estavam então livres para voltar aos Estados Unidos sem medo de perseguição. Mas muitos não voltaram.

A expiação universal de Cristo assegura a salvação potencial de todos. (E, no pensamento arminiano clássico, anula a culpa do pecado original de todos.) Tudo que uma pessoa tem que fazer para recebê-la é arrepender-se e crer em Cristo apenas (o que Deus capacita). Mas Deus não imporá seu perdão sobre as pessoas. Então, sim, um inferno povoado é trágico porque ele é tão desnecessário (e todavia consequentemente necessário). A morte expiadora de Cristo o tornou desnecessário. A rejeição das pessoas da misericórdia de Deus o torna necessário.

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Fonte: Armnianismo.com