Roger E. Olson

Contrário ao que um participante afirma, o Calvinismo clássico crê que a eleição de Deus de pessoas para salvação é absolutamente incondicional. Dizer que não é absolutamente incondicional porque ela é baseada no “beneplácito” de Deus não colabora em nada para aliviar o problema. Quais seriam as causas do “beneplácito” de Deus na eleição de uma pessoa para salvação e não de outra? Tenho lido literalmente inúmeros autores calvinistas clássicos sobre este mesmo assunto (de Calvino a Piper) e não encontrei nenhum palpite de por que Deus escolhe uma pessoa e rejeita outra. A resposta é sempre um apelo ao mistério ou algo como “Deus tem suas boas razões” (sem qualquer sugestão de quais elas poderiam ser), ou “de acordo com seu beneplácito,” que nem ao menos começa a responder a pergunta. Jonathan Edwards foi consistente ao admitir que é uma escolha arbitrária da parte de Deus. Gostaria que mais calvinistas contemporâneos admitissem isso.

Penso que há uma grande diferença entre intencionalmente preordenar alguns ao inferno (o que, como Sproul corretamente chama a atenção, é o corolário necessário da preordenação ao céu) e criar pessoas sabendo que elas livremente escolherão o inferno e não o céu. A diferença chave é a deliberação em relação à pessoa. No Calvinismo clássico Deus na verdade quer que a pessoa preordenada ao inferno vai para lá “para sua glória” (ainda que, como alguns calvinistas alegam, ele faz isso relutantemente). E ele o torna certo.

Não adianta dizer que Deus ama e abençoa os reprovados (como Piper e outros calvinistas contemporâneos dizem). Tudo isso é como dizer que ele os dá um pouquinho do céu para levá-los ao inferno. Teria sido melhor não tê-los criado em primeiro lugar.

Finalmente, a objeção à criação de Deus de pessoas preconhecidas como reprovando a si mesmas (por resistir à graça de Deus) é falaciosa. Deus sabe que elas irão reprovar-se porque elas irão reprovar-se. Seu preconhecimento de suas escolhas livres não dá a Deus a chance de não criá-las (a menos que alguém crê no conhecimento médio, o que não é o meu caso).

Alguns aqui argumentam que a crença arminiana na expiação universal necessariamente leva ao Universalismo (isto é, a crença de que todos serão salvos). Novamente, isto é simplesmente falso. Até Calvino (para não falar de muitos calvinistas posteriores) cria que a própria expiação não salva. Ela “assegura a salvação” aos eleitos, eles dizem. A pessoa eleita por quem Cristo morreu é somente salva quando ele ou ela cumpre certas condições que Deus provê através da graça regeneradora (a saber, os dons de arrependimento e fé).

O argumento que o inferno, combinado com a expiação universal, seria injusto (porque a mesma pessoa seria punida duas vezes pelos mesmos pecados) é também falacioso. Pense numa analogia. Quando Jimmy Carter foi eleito presidente, ele deu anistia total aos opositores da Guerra do Vietnã que fugiram dos Estados Unidos para o Canadá e outros países. Eles estavam então livres para voltar aos Estados Unidos sem medo de perseguição. Mas muitos não voltaram.

A expiação universal de Cristo assegura a salvação potencial de todos. (E, no pensamento arminiano clássico, anula a culpa do pecado original de todos.) Tudo que uma pessoa tem que fazer para recebê-la é arrepender-se e crer em Cristo apenas (o que Deus capacita). Mas Deus não imporá seu perdão sobre as pessoas. Então, sim, um inferno povoado é trágico porque ele é tão desnecessário (e todavia consequentemente necessário). A morte expiadora de Cristo o tornou desnecessário. A rejeição das pessoas da misericórdia de Deus o torna necessário.

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Fonte: Armnianismo.com


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