O arminianismo nasceu intrincado em problemas de não aceitação dogmática. Em seu inicio, ocasionado pelo preconceito do dogma reinante, teve grandes problemas com a não aceitação, continuando envolto neles até os dias atuais. O preconceito advém da falta de uma análise sincera por parte de defensores de outra confissão, gerando uma deturpação na idéias do arminianismo. As idéias que são colocadas como fundamentais ou correlacionadas com seu ideário, em muitos casos não são correspondentes com sua fundamentação teológica, são produtos de inapropriadas associações de idéias.
Idéias como: “Deus não conhece o futuro – por que o livre arbítrio impossibilita um conhecimento prévio”, ou, “o homem para ser salvo independe da graça de Deus”, ou que “o homem no arminianismo, tem méritos diante de Deus”, são idéias tidas como arminianas, mas, realmente, não tem relação com o ideário arminiano.
Refutando qualquer possibilidade de crédito a uma provável ação moralmente positiva por parte do homem independente da graça de Deus, Jacobus Arminius asseverou:

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“Na sua primitiva condição como ele saiu das mãos de seu criador, o homem era dotado de tal parcela de conhecimento, santidade e poder, permitindo-lhe a entender, estimar, considerar, e ter força para realizar o verdadeiro bem, de acordo com o mandamento entregue a ele. No entanto, nenhum destes atos poderia ele fazer, exceto com a assistência da Divina Graça. Mas no seu estado depravado e pecador, o homem não é capaz, e de por si próprio, nem pensar, ter vontade, ou a fazer o que é realmente bom, mas é necessário que ele seja regenerado e renovado no seu intelecto, afecções, ou seja, em todos os seus domínios, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser qualificado justamente para compreender, estimar, considerar, escolher, e fazer tudo o que é verdadeiramente bom. Quando ele é feito um participante desta regeneração ou renovação, considero que, uma vez que ele é livre do pecado, ele é capaz de pensar, e desejar fazer o que é bom, mas ainda não sem o auxílio da Divina Graça.”(1)

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Defendendo a consonância do livre arbítrio do homem, da graça e do conhecimento prévio de Deus, James Arminius afirma:

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“(…) Este decreto tem a sua base no conhecimento de Deus, pela qual ele eternamente conhecia aqueles indivíduos que iriam através da sua graça preventiva crer, e que, através da sua graça, subseqüentemente iriam perseverar, de acordo com a anteriormente descrita administração desses meios, que são adequados e apropriados para a conversão e a fé; e, através deste conhecimento, ele também sabia os que não iriam acreditar e perseverar.”(2)
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Quanto ao mérito do homem que escolhe, Arminius, em uma carta endereçada a Gellius SNECANUS, por ocasião de sua análise ao capítulo nove da epístola aos Romanos, sintetizando o conteúdo da epistola, escreveu:

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“Que o Evangelho, e não a lei é o poder de Deus para salvação, e não para aquele que trabalha, mas, para aquele que crê, uma vez que, no Evangelho a justiça de Deus se manifesta na obtenção de salvação pela fé em Cristo.”(3)

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Mais uma vez, na carta endereçada a SNECANUS, Arminius reforça a crença na soberania de Deus sobre a sua eleição. Admitindo a eleição independente de obras, o teólogo holandês desfaz a idéia do mérito do homem como principio fundamental de sua salvação.
Vejamos sua asserção:

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“Mas o efeito, de acordo com a eleição se mantém, e não por obras, mas por Deus que chama. – Por isso, nesse propósito, aqueles que são da lei não são abrangidos, mas apenas os que são da fé em Jesus Cristo. O principal é, por si só, elucidativo da sua fraseologia, se bem compreendida, o que significa que a firmeza do propósito, que está de acordo com a eleição, depende, não das obras, mas dEle que chama. Por isso, para eles que são das obras da lei, este efeito não pode ser firme e certo, mas somente para aqueles que são da fé.” (4)

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Tentamos explicitar os contrates ideológicos entre o arminianismo de Armínio e o arminianismo caricato, exposto pelos dogmáticos presos principalmente a pressupostos calvinistas, usando os argumentos do próprio idealizador da teologia arminiana, aquele que por tal feito empresta o seu nome a esse sistema teológico. Cabe agora ao leitor crítico, explorar um pouco mais suas proposições para julgar com mais propriedade o conteúdo deste sistema teológico tão criticado, mas, tão pouco conhecido.

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Lailson Castanha
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(1) ARMINIUS, Jacobus. The Works of James Arminius Vl.1
(2) Ibdem
(3) ARMINIUS, Jacobus. The Works Of James Arminius Vl. 3
(4)Ibdem.

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Fonte: Ideário Arminiano

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