Jack Cottrell 

 

UM ESTUDANTE ESCREVE, “Os calvinistas falam sobre a ‘Graça Comum’. A ideia parece ser que qualquer que seja a alegria que experimentamos nesta vida é atribuída à graça de Deus. Não me lembro de você mencionar isso em Doutrina da Graça. Você concorda com essa ideia?”

 

MINHA RESPOSTA: Nem todos os calvinistas concordam com o conceito de “Graça Comum”. Cornelius Van Til, um dos meus professores no Seminário de Westminster, era o seu principal defensor. Eu menciono este conceito no meu curso de Graça, porém não dou muita ênfase a ele. Consulte a seção sobre “The Scope of Grace – O Alcance da Graça” no meu livro sobre a Graça.[1]  Esta visão diz que há dois tipos de graça: a Graça Salvadora, que é a graça irresistível outorgada apenas aos eleitos; e a Graça Comum, que é simplesmente a boa vontade de Deus para com a sua criação, a qual é experimentada por todos os seres humanos em geral (daí o nome graça COMUM). Isto inclui as bênçãos da Providência geral de Deus como a chuva e a luz do Sol (Mt 5.45), conforme outorgadas igualmente a justos e injustos, e a chuva e as estações frutíferas que enchem os corações, até mesmo dos pagãos, com comida e felicidade (At 14.17). Entretanto, essa graça comum é totalmente diferente da graça salvadora e nada tem a ver com a salvação dos eleitos.

 

No entanto, para os réprobos, experimentar a graça comum tem muito a ver com a sua condenação eterna. Como os seus defensores a explicam, quanto mais graça comum os réprobos recebem, maior é a sua culpa pela rejeição da bondade de Deus; e quanto mais bondade divina eles rejeitam, maior é a sua condenação no inferno. Eu desafiei o Professor Van Til sobre este ponto, dizendo a ele que é totalmente inadequado chamar isso de GRAÇA, quando o seu principal resultado para o réprobo é aumentar o seu castigo eterno.[2] Ele não gostou dos meus comentários!

 

Em sala de aula, eu reconheço que os termos bíblicos traduzidos como “graça” às vezes têm um significado mais amplo do que graça salvadora; por exemplo, o termo grego CHARIS tem o significado geral de “um dom” ou “um dom que traz alegria”; às vezes esse termo é utilizado para dons que não incluem a salvação como tal. Minha preferência é reservar a palavra inglesa “graça” para a graça salvadora que vem através de Jesus Cristo.[3]

 

Fonte: http://www.arminianismo.com/

Tradução: Cloves Rocha dos Santos


[1] Jack Cottrell, “Set Free! What the Bible Says About Grace – Liberte-se! O Que a Biblia diz Sobre a Graça”, (College Press Publishing Co., 2009), 166-167.

[2] Nota do Tradutor: Consequência inevitável do raciocínio calvinista, já que não há esperanças para os réprobos, pois eles já foram “incondicionalmente” destinados a rejeitar a graça de Deus. Na verdade, conforme esclarece Cottrell, para os réprobos, não existe graça nenhuma e a tentativa de ensinar a graça de Deus dessa forma e argumentação é uma falácia.

[3] Nota do Tradutor: Cottrell dá a entender que não existe diferença entre a “graça comum” e a “graça salvadora”; existe apenas a Graça de Deus, salvadora, e essa, através de Jesus Cristo (Tt 2.11).

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