Ben Witherington III  

 

Cristo morreu pelos pecados do mundo e para resgatar o mundo. 1Tm 2.4, 5 propõe a questão de forma sucinta. Deus nosso Salvador “quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.  O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos.” Podemos comparar esta passagem com Jo 3.17, “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele,” ou com o repetido refrão em Hebreus que Cristo morreu de uma vez por todas, por todas as pessoas, e assim por diante.

 Mas esta não é uma questão de apenas encontrar textos-prova suficientes (dos quais há muito mais), é uma questão da própria teologia do caráter de Deus. Deus é amor, amor santo, para ser exato, mas não obstante amor, e como diz 1Tm 2.4, o desejo do coração de Deus é que todas as pessoas sejam salvas. Não são apenas os eleitos que Deus ama, mas como diz Jo 3.16, o mundo, por quem Cristo foi enviado para morrer. Segue disto que a morte expiatória de Cristo é suficiente para a salvação de todas as pessoas, mas somente eficiente para aqueles que respondem em fé à graciosa provisão divina de redenção.

 Ainda mais fundamental é o entendimento do significado de dizer que Deus é amor. Entre outras coisas, isto significa que Deus está comprometido em relacionar-se em amor com os que foram criados à sua imagem. Agora, amor verdadeiro deve ser livremente dado e livremente recebido. Ele não pode ser predeterminado, manipulado, coagido ou de outra forma, que ele se torna contrário ao que a Bíblia diz que o amor é (veja 1Co 13). No debate entre se a característica primária de Deus é sua soberania ou seu amor, parece claro que Deus exerce seu poder em amor e para fins amorosos. Mesmo seus atos de julgamento, com exceção do julgamento final, não têm a intenção de ser punitivos, mas, antes, corretivos e restaurativos. Deus, em resumo, é diferente dos seres humanos vingativos, muito diferente deles. Dessa forma, Oséias relata que Deus diz “As minhas compaixões a uma se acendem. Não executarei o furor da minha ira… porque eu sou Deus e não homem,” (Os 11.8, 9). Deus, o pai divino, não é menos amoroso do que o melhor dos pais humanos, Ele é mais. Se Cristo é a perfeita encarnação do caráter de Deus, então a resposta à pergunta ‘por quem Cristo morreu?’ torna-se teologicamente auto-evidente – pelo mundo que Deus criou e ainda ama.

___________________________ 

Tradução: Paulo Cesar Antunes

___________________________

Fonte: Arminianismo

Anúncios