Paulo Cesar Antunes teologia.gif

 

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. 

Paulo Cesar Antunes

 

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. 1Tm 2.1-6

 

Paulo exorta os cristãos para que façam orações de todos os tipos[1] por todos os homens, em particularpelos reis e por todos os que estão em eminência, para que possam ter uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. O propósito dessas orações, no entanto, vai além da busca pela tranquilidade dos cristãos.[2] Paulo fundamenta essas orações no fato que isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. O propósito mais amplo, portanto, é que os cristãos possam proclamar o Evangelho entre os homens sem serem perturbados pelas autoridades.[3]

 

Não perderíamos a linha de raciocínio do apóstolo se nada fosse mencionado a respeito das autoridades. Por outro lado, fazer orações para que todos os homens pudessem ter acesso ao Evangelho sem também incluir orações específicas pelas autoridades, dos quais o acesso de todos ao Evangelho muito depende, seria de pouca valia. Portanto, as orações por todos os homens visam a salvação de todos os homens,[4] mas como meio para esse fim, Paulo aconselha que se façam orações pelas autoridades, para que os cristãos possam ter liberdade para proclamar o Evangelho entre os povos. Paulo, portanto, não cita os reis para delimitar as orações a homens de todas as classes, como alguns intérpretes calvinistas,[5] na intenção de evitar a universalidade dessa passagem,[6] sugerem.

 

É importante observar que as orações por todos os homens, o desejo de Deus de que todos sejam salvos e a morte de Cristo por todos estão intimamente relacionados. Os cristãos devem orar pela salvação de todos os homensporque Deus quer que todos os homens sejam salvos e porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos.[7] Podemos, então, seguramente concluir que o Evangelho deve ser pregado a todos os homens com base em duas verdades, (1) que Deus quer que todos os homens sejam salvos e (2) Cristo morreu por todos os homens.

 

Mas se Deus quer que todos os homens sejam salvos, por que todos os homens não são salvos? Paulo está falando de um desejo divino, do que Deus gostaria que acontecesse,[8] não do que ele quer, com toda a força de seu poder,[9] que aconteça. Deus deseja a salvação de todos, mas não sem sua resposta ao Evangelho de Cristo.


 

[1] É difícil distinguir as três primeiras (deprecações, orações e intercessões).

[2] “O motivo de Paulo é mais do que manter a paz (1Tm 2.2); é também proclamar o evangelho (2.3, 4).” Craig S. Keener, Comentário Bíblico Atos – Novo Testamento, p. 629.

[3] À semelhança de 2Ts 3.1, 2, “No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós; e para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos,” e Rm 15.30-32, “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia, e que esta minha administração, que em Jerusalém faço, seja bem aceita pelos santos; a fim de que, pela vontade de Deus, chegue a vós com alegria, e possa recrear-me convosco.”

[4] “Ele menciona parenteticamente a necessidade de incluir orações pelos governantes para que os cristãos possam viver em paz, mas seu principal pensamento é que orações sejam oferecidas pela salvação de todas as pessoas.” I. Howard Marshall, em Clark H. Pinnock, The Grace of God the Will of Man, p. 62.

[5] Por exemplo, John Owen, Por Quem Cristo Morreu, p. 82. Mas não podemos limitar o escopo de uma passagem se não houver alguma indicação que possa justificar tal limitação.

[6] É impossível evitar a universalidade da passagem. Afinal, Deus não quer meramente que homens de todas as classes tenham acesso ao Evangelho. Jesus foi bem enfático: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura,” Mc 16.15.

[7] Paulo identifica Cristo com a humanidade ao chamá-lo “Jesus Cristo homem”. Sendo o Mediador entre Deus e os homens, devemos dirigir nossas orações por seu intermédio em favor de todos os homens.

[8]O uso de thelo aqui, e não boulomai, não enfraquece o desejo divino de salvação universal. O termo boulomai é usado na passagem paralela de 2Pe 3.9, “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo [boulomai] que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”

[9] “Não é a vontade definitiva de Deus, por meio da qual Ele governa de forma soberana o mundo, a salvação sem seleção.” Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H. Wayne House, ed., O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento, p. 589.

 

Paulo exorta os cristãos para que façam orações de todos os tipos[1] por todos os homens, em particular pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que possam ter uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. O propósito dessas orações, no entanto, vai além da busca pela tranquilidade dos cristãos.[2] Paulo fundamenta essas orações no fato que isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. O propósito mais amplo, portanto, é que os cristãos possam proclamar o Evangelho entre os homens sem serem perturbados pelas autoridades.[3]

 

Não perderíamos a linha de raciocínio do apóstolo se nada fosse mencionado a respeito das autoridades. Por outro lado, fazer orações para que todos os homens pudessem ter acesso ao Evangelho sem também incluir orações específicas pelas autoridades, dos quais o acesso de todos ao Evangelho muito depende, seria de pouca valia. Portanto, as orações por todos os homens visam a salvação de todos os homens,[4] mas como meio para esse fim, Paulo aconselha que se façam orações pelas autoridades, para que os cristãos possam ter liberdade para proclamar o Evangelho entre os povos. Paulo, portanto, não cita os reis para delimitar as orações a homens de todas as classes, como alguns intérpretes calvinistas,[5] na intenção de evitar a universalidade dessa passagem,[6] sugerem.

 

É importante observar que as orações por todos os homens, o desejo de Deus de que todos sejam salvos e a morte de Cristo por todos estão intimamente relacionados. Os cristãos devem orar pela salvação de todos os homensporque Deus quer que todos os homens sejam salvos e porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos.[7] Podemos, então, seguramente concluir que o Evangelho deve ser pregado a todos os homens com base em duas verdades, (1) que Deus quer que todos os homens sejam salvos e (2) Cristo morreu por todos os homens.

 

Mas se Deus quer que todos os homens sejam salvos, por que todos os homens não são salvos? Paulo está falando de um desejo divino, do que Deus gostaria que acontecesse,[8] não do que ele quer, com toda a força de seu poder,[9] que aconteça. Deus deseja a salvação de todos, mas não sem sua resposta ao Evangelho de Cristo.


 

[1] É difícil distinguir as três primeiras (deprecações, orações e intercessões).

[2] “O motivo de Paulo é mais do que manter a paz (1Tm 2.2); é também proclamar o evangelho (2.3, 4).” Craig S. Keener, Comentário Bíblico Atos – Novo Testamento, p. 629.

[3] À semelhança de 2Ts 3.1, 2, “No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós; e para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos,” e Rm 15.30-32, “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia, e que esta minha administração, que em Jerusalém faço, seja bem aceita pelos santos; a fim de que, pela vontade de Deus, chegue a vós com alegria, e possa recrear-me convosco.”

[4] “Ele menciona parenteticamente a necessidade de incluir orações pelos governantes para que os cristãos possam viver em paz, mas seu principal pensamento é que orações sejam oferecidas pela salvação de todas as pessoas.” I. Howard Marshall, em Clark H. Pinnock, The Grace of God the Will of Man, p. 62.

[5] Por exemplo, John Owen, Por Quem Cristo Morreu, p. 82. Mas não podemos limitar o escopo de uma passagem se não houver alguma indicação que possa justificar tal limitação.

[6] É impossível evitar a universalidade da passagem. Afinal, Deus não quer meramente que homens de todas as classes tenham acesso ao Evangelho. Jesus foi bem enfático: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura,” Mc 16.15.

[7] Paulo identifica Cristo com a humanidade ao chamá-lo “Jesus Cristo homem”. Sendo o Mediador entre Deus e os homens, devemos dirigir nossas orações por seu intermédio em favor de todos os homens.

[8]O uso de thelo aqui, e não boulomai, não enfraquece o desejo divino de salvação universal. O termo boulomai é usado na passagem paralela de 2Pe 3.9, “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo [boulomai] que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”

[9] “Não é a vontade definitiva de Deus, por meio da qual Ele governa de forma soberana o mundo, a salvação sem seleção.” Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H. Wayne House, ed., O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento, p. 589.