Olhando Para Jesus (Hb 12:2)

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Henry Orton WileyArminius Hoje

 Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hb 12.2 ARA

 O escritor de Hebreus pede agora aos seus leitores que voltem o olhar para Jesus, exaltado acima de todos e assentado à destra do trono de Deus.

 O verbo olhar – em olhando firmemente – é aphorontes (Αφορωντες), que significa tirar a vista das coisas que estão perto e desviam a nossa atenção e, conscientemente, fixar os olhos em Jesus como o nosso grande alvo. Significa ainda interesse que absorve por completo, perfeitamente expresso pelas palavras com olhos só para Jesus.

 A expressão autor e consumador da nossa fé tem sido interpretada de várias maneiras. A palavra traduzida como autor é archegon (Αρχηγος), líderpioneiro, sendo o mesmo vocábulo traduzido como capitão (da nossa salvação) em Hebreus 2.10 (KJ). A palavra consumador é teleioten (τελειωτής), aperfeiçoadorque completa (cp. Hb 10.14).

 Em olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o possessivo nossa [que aparece nas versões KJ e na NVI, mas não na ARA e na ARC], antes de , está em itálico ou entre parêntesis, pois no grego temos apenas a . No entanto, não significa a  no sentido objetivo, como o fundamento cristão, mas subjetivo, como o princípio que rege o coração e a vida do ser humano.

 A escolha da palavra archegonlíder ou pioneiro, em vez de aitios (αἴτιος), autor, no sentido de originador, é muito significativa. Como observou Davidson, na presente acepção, as palavras não “podem significar que Cristo, como Autor, originou a fé em nós e, como Aperfeiçoador, sustém-na e a leva a um resultado perfeito”, isto é, incondicionalmente quanto ao conceder e ao aperfeiçoar; a ênfase é, antes, sobre Cristo como o grande Pioneiro da fé que, na Sua vida terrena, tendo perfeitamente alcançado o ideal e terminado a corrida, está agora assentado à destra do trono de Deus.

 Em Hebreus 2.10 a palavra archegon, como capitão (KJ), refere-se em especial à preparação de Jesus para a liderança; neste caso, Ele se tornou o Alvo da realização, o Centro de toda a visão cristã. No entanto, é ainda o Líder, que do Seu trono nos céus ministra pelo Espírito a força, a perseverança, paciência e toda a graça necessária em meio ao sofrimento e aos conflitos. Para os que o seguem com confiança, Ele se tornará o aperfeiçoador, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram (2 Ts 1.10 ARA).

 A seguir, o autor da Epístola aos Hebreus passa a uma consideração da experiência de humilhação de Jesus, vividamente descrita para encorajamento dos leitores – palavras que são apenas a amplificação de Sua obra como o autor e consumador da fé.

 O escritor encontra três semelhanças entre os herois da fé e Jesus. Pela fé, aqueles passaram por grandes lutas e aflições, em parte porque foram exibidos como espetáculo ignominioso, em parte porque se tornaram companheiros dos que foram alvos daquelas tribulações. Assim também Jesus, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia (Hb 12.2b). Esta oração é introduzida pela palavra anti (ἀντί), que significa dar em troca ou, especialmente aqui, em consideração de.

 O vocábulo traduzido como alegria é charas (χαρά) – não aquilo a que Jesus renunciou ao encarnar, mas a alegria que lhe estava proposta. Era a alegria como recompensa do Seu autossacrifício pela salvação dos homens; um autossacrifício que em si mesmo era uma recompensa satisfatória. Mas significava também a alegria de ser exaltado ao trono de Deus e levar consigo a Sua natureza e a nossa, coroando assim a obra redentora por toda a eternidade. Era a alegria de administrar do trono a Sua vida celestial mediante o Espírito Santo, e assim aperfeiçoar para sempre os que são santificados (Hb 10.14). Esta foi a alegria que lhe foi proposta – uma alegria que enche com a Sua glória.Cruz, 

  O que fez Jesus pra ter essa alegria? Suportou a cruz. Temos aqui de novo a palavra hupemeinem (ὑπομένω), anteriormente traduzida como paciência, mas aqui mais propriamente traduzida como suportou com perseverança.

 A palavra traduzida como cruz é stauron (σταυρός), viga ou poste introduzido no chão para execução de criminosos, vindo depois a significar a cruz.

 A frase não fazendo caso da ignomínia ou desprezando a afronta (ARC) foi chamada o grande paradoxo.Desprezar a afronta não significa que Cristo a tinha por desprezível, mas por pequena, comparada com a alegria que lhe foi proposta.

 As palavras cruz e vergonha (NVI) são usadas sem o artigo para salientar a qualidade – coisas como a cruz e a vergonha, e assim servem para colocar em maior relevo a profundidade da abnegação de Cristo. Jesus, sendo santo em si mesmo, foi intensamente sensível à vergonha da cruz, morrendo aos olhos da Lei como um criminoso, mas não permitiu que isso fizesse vacilar Sua lealdade à vontade do Pai.

 

Fonte: A Excelência da Nova Aliança em Cristo: Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus, pp. 509, 510

Resenha do Livro Young, Restless, No Longer Reformed de Austin Fischer

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Austin Fischer, Young, Restless, No Longer Reformed (Cascade Books, 2014).

 Muitos jovens cristãos durante a última década estiveram numa jornada semelhante. Eles têm fé em Jesus Cristo, paixão para compartilhar o amor de Deus com o mundo e desejo de aprofundar-se espiritualmente. Quando buscam crescer, eles encontram escritores como John Piper, David Platt, R. C. Sproul e J. I. Packer, que os desafiam a trocar um evangelho americano burguês confortável por um evangelho que magnifica a glória de Deus. Estes cristãos vão para as conferências Passion, ouvem Lecrae e enchem salas de campi universitários na RUF e reuniões no Campus Outreach. Estes jovens cristãos estão numa jornada em direção ao Calvinismo.[1]

 A jornada em direção ao Calvinismo, Novo Calvinismo, Neo-Calvinismo, Neo-Puritanismo, teologia reformada – como quer que prefira chamá-lo – é uma na qual eu estava durante a universidade. Enquanto caminhava, eu descobri a centralidade da Escritura, a depravação da humanidade e a beleza da graça imerecida de Deus. Todavia, eu nunca cheguei ao destino de ser convencido que o entendimento reformado de Deus e sua obra neste mundo era verdadeiro.

 Austin Fischer, autor de Young, Restless, No Longer Reformed, chegou a este destino. Quando chegou, ele logo descobriu um Deus que estava principalmente preocupado com glória – um Deus que até mesmo valorizava a auto-glorificação mais do que a salvação dos outros. Austin descobriu um Deus cuja natureza e obra no mundo não se relacionava com as formas que os seres humanos concebem o amor, a justiça e a bondade. Finalmente, ele se descobriu numa relação com um Deus que não parecia o Jesus encontrado nos evangelhos. E assim ele começou a desafiadora tarefa de abandonar um destino numa jornada em direção a um outro ainda desconhecido.

 Fischer narra esta jornada – para dentro e fora do Calvinismo – em seu recém-lançado livro Young, Restless, No Longer Reformed. A jornada de Fischer irá envolver os leitores de todas as persuasões teológicas, mas são seus argumentos teológicos para abandonar o Calvinismo elaborados em toda a sua narrativa que forçarão os leitores a parar a leitura de cada capítulo para refletirem sobre as questões “Quem é Deus?” e “Como eu fico sabendo?”

 Todos os argumentos de Fischer são encaminhados para uma única pergunta: “O Deus do Calvinismo corretamente representa o Deus revelado em Jesus?” Fischer conclui, “Não.”

 Contando com as Escrituras e teólogos como Jürgen Moltmann, Richard Hays, N. T. Wright e Karl Barth, Fischer aborda a natureza de Deus, a eleição, a soberania e o amor. Ele argumenta que o Deus cujo caráter e coração são revelados em Jesus não existe para si mesmo e sua própria glória. Ele não ordena meticulosamente toda ação no mundo – incluindo o mal e o pecado. Deus intencionalmente não cria pessoas que serão condenadas por pecados que elas não tiveram nenhuma escolha senão cometê-los, para que a plenitude de seu caráter pudesse ser exibido.

 Ao invés disso, Fischer afirma que o Deus revelado em Jesus cria, é esmagado sobre uma cruz, e oferece redenção a todos de seu eternamente abnegado amor. Deus não contribui com o mal, o pecado e o sofrimento no mundo, mas, pelo contrário, se esvaziou em Jesus e entrou no mundo devastado a fim de curá-lo. E este auto-esvaziamento continua enquanto Deus concede um nível de liberdade e controle a sua criação para que o amor da humanidade por ele, em resposta ao seu por ela, possa ser livremente escolhido.

 “A glória de Deus é a glória do amor,” Fischer resume.

 Durante todo o seu criterioso e claro engajamento com estas questões espinhosas que têm penetrado comunidades cristãos por séculos, Fischer escreve com humildade e confiança antes que com arrogância e certeza. Ele reconhece que não devemos dominar a divindade, mas deixar que a divindade nos domine. Talvez ele, como eu, reconhece que se não fosse pelos seus amigos reformados, ele não estaria onde está hoje, no caminho do discipulado.

 

Young, Restless, No Longer Reformed é um livro que eu gostaria que tivesse sido escrito anos atrás. Mas sou grato por poder distribuir cópias a outras pessoas agora, particularmente àquelas nessa conhecida jornada. O livro de Fischer é um daqueles que deve ser lido por todos os cristãos que esperam aprofundar seu entendimento sobre Deus – jovens, idosos, reformados, arminianos, ou algo entre os dois. Como A. W. Tozer uma vez disse, “O que vem a nossa mente quando pensamos sobre Deus é a coisa mais importante sobre nós…. Nossa tendência, pela lei secreta da alma, é nos mover em direção a nossa imagem mental de Deus.”

 Fonte: http://seedbed.com/feed/book-review-young-restless-longer-reformed/

 Tradução: Paulo Cesar Antunes

Hades: O Que Ele É?

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Jack Cottrelljack cottrell - arminius hoje

 

PERGUNTA: Tenho visto a palavra “Hades” no Novo Testamento várias vezes, mas não estou certo quanto ao que significa. Você pode explicar isso?

 RESPOSTA: Posso tentar. Primeiro, o equivalente a Hades no Antigo Testamento é Sheol, que aparece cerca de 65 vezes nos escritos do Antigo Testamento. O Antigo Testamento Grego (a Septuaginta) traduz essa palavra com Hades quase o tempo todo. O Novo Testamento usa Hades dez vezes (ou 11 se 1Co 15.55 for contado). O que é mais importante lembrar é que estas palavras estão sempre relacionadas à morte. Elas são o lugar ou a localização dos mortos. Em relação a isto, veja Sl 18.5; Pv 5.5; Is 28.15; Ap 1.18; 6.8.

 Para entender adequadamente estes termos, devemos antes de tudo aceitar a inspiração completa de toda a Bíblia, bem como a unidade e a coerência dos conteúdos de seu ensino. Em segundo lugar, temos de aceitar o ensinamento bíblico de que os seres humanos consistem de duas partes, o corpo físico e o espírito ou alma. Elas foram feitas para existir em conjunto, mas são separadas no momento da morte física. Finalmente, devemos aceitar o fato de que existem três aspectos da morte que se abateu sobre a raça humana como resultado do pecado: a morte física do corpo, a morte espiritual da alma (Ef 2.1, 5), e a morte eterna no inferno, o lago de fogo, que é “a segunda morte” (Ap 20.14; 21.8).

 Grande parte da confusão sobre a natureza do Hades (Sheol) é resultado da negação da realidade da alma ou espírito como um aspecto real e separado da natureza humana. Tal negação é central na teologia das Testemunhas de Jeová e Adventistas do Sétimo Dia, por exemplo. A existência da alma também está se tornando cada vez mais questionada até mesmo em círculos evangélicos. Aqueles que assim veem os seres humanos, como corpos somente, nunca irão entender adequadamente a natureza do Hades. (Sobre a natureza dualista do homem, veja meu livro, The Faith Once for All, páginas 134-147.)

 Como, então, devemos entender o Hades, o lugar e poder da morte? Em primeiro lugar, devemos entender que às vezes Sheol no Antigo Testamento e Hades no Novo Testamento se referem à sepultura, que engole os corpos dos que morrem, justos e injustos. Aqueles que negam a existência da alma muitas vezes dizem que Sheol e Hades semprese referem à sepultura, mas eles estão enganados. Alguns (como Robert Morey) dizem que estas palavras nunca se referem à sepultura, mas isso também está errado.

 Por um lado (contra Morey), em alguns textos Sheol/Hades significam claramente o túmulo. Em seu sentido de “lugar dos mortos”, Sheol/Hades é o lugar abaixo da superfície da terra, onde os cadáveres são enterrados. Como tal, tanto o justo quanto o ímpio entram no Sheol/Hades, o inimigo que captura e devora todos os membros da raça de Adão. Desta forma, até mesmo para o justo, a morte parece ser vitoriosa, uma vez que a sepultura nos engole a todos e transforma nossos corpos de novo em pó (veja Sl 89.48; 116.3; 141.7; Is 38.10). Neste sentido Sheol/Hades é algo a ser receado e temido, algo do qual todos nós ansiamos ser libertados e redimidos (Sl 49.14-15; 86.13; Os 13.14). Esta é a luz na qual o Salmo 16.10 deve ser entendido: “Pois não deixarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção”. (Aqui a palavra “alma” tem o sentido de “a própria pessoa”; “minha alma” significa “eu, eu mesmo”) Em Atos 2.27, 31 Pedro cita isto como uma profecia da ressurreição do túmulo do corpo de Jesus, pela qual “Ele não foi abandonado no Hades, nem a sua carne viu a corrupção.” Isto se refere apenas ao corpo de Cristo como enterrado e ressurgido da sepultura (Sheol/Hades), não ao estado ou atividade de seu espírito entre sua morte e ressurreição.

 Por outro lado (contra aqueles que negam a existência da alma), em alguns textos onde Sheol/Hades se refere a um local específico, ele não se refere à sepultura como o receptáculo do corpo, mas ao lugar para o qual os espíritos dealguns dos mortos são levados, onde eles existirão em seu estado intermédiário (incorpóreo, consciente) até o retorno de Cristo. Visto que o Sheol/Hades é o lugar dos mortos, somente as almas dos ímpios são colocadas no Sheol/Hades no sentido de um lugar de espera para almas desencarnadas (veja Jó 24.19; Sl 09.17; 31.17; 55.15; Pv 9.18; 23.14; Is 14.13-15; Mt 11.23). As almas dos justos não entram no Sheol/Hades, visto que suas almas não se encontram em um estado de morte espiritual, mas foram vivificadas pelo poder vivificador de Deus (Ef 2.5-6; Cl 2.12-13). Portanto, não devemos pensar que Sheol/Hades seja ocupado pelas almas dos justos e dos injustos (Sl 49.14-15; 86.13; Pv 15.24).

 Como o lugar onde os ímpios habitam até o julgamento, o Sheol/Hades é visto como um inimigo ou capturador com todo o seu terror. Na história de Jesus do homem rico e Lázaro, é dito que somente o homem rico (personificando os ímpios em geral) está em tormentos “no Hades” (Lc 16.23).

 Em ambos os seus significados específicos, (1) a sepultura como o receptáculo dos corpos de todos os homens e (2) o lugar de habitação intermediário para as almas dos ímpios, Sheol/Hades é o inimigo da humanidade, uma força sórdida conquistada pela obra redentora do Cristo crucificado e ressuscitado (Ap 1.18) e da qual encontramos refúgio na igreja (Mt 16.18). No final ele será finalmente destruído no lago de fogo (Ap 20.14).

 Para onde então as almas dos justos vão quando na morte elas são separadas do corpo? Seu destino nunca é chamado Sheol ou Hades. Elas são descritas como estando no seio de Abraão (Lc 16.23), no Paraíso (Lc 23.43), “em casa com o Senhor” (2Co 5.8), e sob o altar celestial (Ap 6.9). Podemos nos referir a isto simplesmente como o Paraíso (veja 2Co 12.4), que não deve ser considerado apenas como uma seção do Hades. As almas dos justos foram “aperfeiçoadas” (Hb 12.23), e isso inclui serem plenamente vivificadas em um sentido espiritual. Elas não têm mais o odor e a pena de morte espiritual sobre elas, e, portanto, não são propriamente cidadãs do Hades, que é lugar de morte. Os justos estão “no Hades” somente no sentido que seus corpos estão na sepultura.

 Onde estão localizados o Paraíso e o Sheol/Hades? O Paraíso, como o lugar onde as almas dos justos mortos existem em seu estado intermediário, é equivalente à, ou pelo menos adjacente à, sala do trono celestial, uma região do universo invisível criado para a raça angélica. Esta conclusão se baseia em dois fatos: Primeiro, João viu as almas de pelo menos alguns dos justos mortos sob o altar deste céu (Ap 6.9). Em segundo lugar, quando morrermos, nossas almas estarão na presença de Cristo (2Co 5.8; Fp 1.23), e o próprio Cristo em sua existência humana glorificada está presentemente nesta sala do trono celestial (At 7.55; Ap 3.21; 5.6, 13). Quando morrermos, nossas almas despertarão em consciente êxtase nesse lugar abençoado.

 Mas onde está o Sheol/Hades, o lugar para o qual as almas dos ímpios são conduzidas após a morte? Podemos apenas especular sobre isso. Mas com base no acima exposto, eu deduzo que esta é também uma parte do universo invisível, uma região distante ou inferior longe da presença de Deus e do Cristo glorificado, talvez adjacente ao lugar chamado Tártaro, ocupado por alguns anjos caídos (2Pe 2.4). É um lugar de trevas (Jó 17.13), tristeza e sofrimento, sem luz e sem esperança. É o lugar onde os seres humanos perdidos aguardam o julgamento final e seu envio eterno para o inferno.

 (Para estes e outros detalhes sobre a vida após a morte, veja o meu livro, The Faith Once for All, capítulo 29, sobre “O Estado Intermediário.”)

 

Fonte: http://jackcottrell.com/notes/hades-what-is-it/

 Tradução: Cloves Rocha dos Santos

A Razão para a Demora Aparente (2Pe 3.9)

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Stanley M. Horton

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O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

 Pedro dá mais uma razão à aparente demora na volta de nosso Senhor (2 Pe 3.9): a necessidade de pregarmos o Evangelho. Não foi isto o que Paulo quis dizer quando descreveu a volta de Cristo em glória com seus poderosos anjos, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao Evangelho? “Estes sofrerão penalidades de eterna destruição; serão banidos da face do Senhor e da glória de seu poder” (2 Ts 1.8, 9). A volta de Cristo é, pois, parte de uma sequência de julgamentos que há de terminar no Grande Trono Branco (Ap 20.11-15).

 Sendo assim, a oportunidade de espalharmos o Evangelho um dia chegará ao fim. O Senhor (2 Pe 3.9) não está negligenciando nem atrasando sua promessa. Sua demora não é questão de negligência. É porque Deus sofre em relação a nós. Não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. E que entre os salvos haja redimidos de “toda família, e língua, e povo, e nação”. Que todos estes sejam reis e sacerdotes, e que reinem com Cristo por toda a eternidade (Ap 5.9, 10).

 Jesus ainda alertou quanto aos que passarão para o caminho largo, “porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Além do mais, em relação à população total do mundo, os salvos são poucos; seu número incluirá eventualmente “uma grande multidão que ninguém pode enumerar” (Ap 7.9). Sim, esta é a única razão para a aparente demora de sua vinda. Ele almeja que haja um número maior de salvos.

 A época da vinda de Cristo não nos é revelada. O dia e a hora não eram conhecidos nem por Jesus enquanto estava entre nós, em virtude de sua identificação com as nossas limitações (Mc 13.32). Então não devemos supor que qualquer de nós possa lograr obter tal informação. Jesus ainda enfatizou que sua vinda seria repentina e inesperada, sem nenhuma oportunidade para preparações de última hora.

 Fonte: 1 e 2 Pedro, pp. 107-108

O Que É Graça Preveniente (Precedente)

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Timothy C. Tennenttimothy c. tennent

 

Anteriormente nós aprendemos que é parte da natureza de Deus o desejo de revelar-se a nós. Deus não está meramente interessado em nos dar regras pelas quais nós devemos viver. Ele quer que nós o conheçamos e entremos numa relação de aliança com ele através de Jesus Cristo. Esta natureza auto-revelatória de Deus aparece de muitas maneiras, incluindo na criação, em nossas consciências, na Escritura e finalmente em Jesus Cristo.

 É importante entender que a salvação nunca começa com algo que nós fazemos, mas sempre como uma resposta a algo que Deus fez. Pensar que a salvação começa com nosso arrependimento de nossos pecados e convite para que Jesus entre em nossos corações não é a forma que as Escrituras entendem todo o processo de salvação. Antes, a salvação sempre começa com uma ação anterior de Deus. Ele age, e nós respondemos ou resistimos. Ela sempre segue esse padrão.

 Uma abordagem de todas as maneiras que Deus nos prepara para receber o evangelho é usar o termo “graça preveniente (precedente)”. A graça preveniente diz respeito a todos esses atos da graça em nossas vidas que antecedem a nossa conversão. Sabemos que tal graça existe porque Jesus disse que “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (Jo 6.44). Há uma “atração” ou “preparação” que precede nossa efetiva conversão.

  A outra razão que sabemos que a graça de Deus deve preceder nossa decisão de seguir a Cristo é que as Escrituras nos ensinam que estamos mortos em nossos delitos e pecados à parte de Cristo (Ef 2.1). As Escrituras não ensinam que estamos meramente doentes ou que o nosso progresso espiritual geral é lento, mas que estamos espiritualmente mortos. (Esta é uma outra grande característica distintiva do Cristianismo.) Isto significa que somos incapazes de nos ajudar ou de nos salvar sem uma ação prévia de Deus.

 Muitos cristãos creem na doutrina da depravação total. Isso significa que os seres humanos estão mortos em seus pecados e não podem fazer nada para ajudar ou melhorar seu estado espiritual diante de Deus. Entretanto, é também um ponto de vista cristão crer no livre arbítrio. Isto significa que afirmamos que Deus quer que agimos e tomamos decisões a seu favor. Este é o problema: Como uma pessoa espiritualmente morta pode agir ou decidir dar suas vidas a Cristo? A Bíblia está repleta de prescrições para agir – as pessoas são chamadas a se arrepender, crer, vir, decidir e assim por diante. A resposta é a doutrina da graça preveniente. Esta é a ponte entre a depravação humana e o livre exercício da vontade humana. A graça preveniente é um ato soberano de Deus pelo qual ele suspende a raça humana de sua depravação e nos concede a capacidade de respondermos à graça de Deus. Ela é um ato de Deus de favor imerecido. É a luz de Deus “que ilumina a todo o homem” (Jo 1.9, ACF), que nos levanta e permite que exercemos nossa vontade e respondemos à graça de Cristo.

 Deus toma a iniciativa para criar uma capacidade universal para a raça humana para receber sua graça.  Muitos, obviamente, ainda resistem a sua vontade e persistem em rebelião contra Deus. A doutrina da graça preveniente protege a igreja de visões que argumentam que não há nenhuma natureza pecaminosa. Ela também protege a igreja de visões que argumentam que Jesus morreu somente por aqueles que foram eleitos desde toda a criação para ser seguidores de Cristo. A graça preveniente preserva tanto a depravação da raça humana quando nossa confiança que Jesus morreu por cada pessoa que já viveu ou irá viver. De fato, a graça preveniente tecnicamente não afirma o livre arbítrio no sentido que todos podemos decidir seguir a Cristo sempre que quisermos, porque isto pressiona a salvação demais para a ideia que ela depende de nossa iniciativa. Pelo contrário, o que é algumas vezes chamado de “livre arbítrio” é na verdade “arbítrio liberto,” uma vontade escravizada que foi libertada por um ato imerecido da graça de Deus. Ela não é, obviamente, livre em todo aspecto possível, visto que todos ainda somos influenciados de muitas maneiras pelos efeitos da Queda; mas agora temos uma capacidade restaurada que possibilitou que nosso coração, mente e vontade respondessem à graça de Deus.

 

Leitura das Escrituras

 

Isaías 55.1

João 1.9

João 6.44

João 12.32

João 16.8-11

Atos 14.17

Atos 16.13-15

Romanos 2.4

1 Timóteo 2.4-6

Tito 2.11

 

Fonte: http://seedbed.com/feed/prevenient-preceding-grace-30-questions/

 Tradução: Paulo Cesar Antunes