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Austin Fischer, Young, Restless, No Longer Reformed (Cascade Books, 2014).

 Muitos jovens cristãos durante a última década estiveram numa jornada semelhante. Eles têm fé em Jesus Cristo, paixão para compartilhar o amor de Deus com o mundo e desejo de aprofundar-se espiritualmente. Quando buscam crescer, eles encontram escritores como John Piper, David Platt, R. C. Sproul e J. I. Packer, que os desafiam a trocar um evangelho americano burguês confortável por um evangelho que magnifica a glória de Deus. Estes cristãos vão para as conferências Passion, ouvem Lecrae e enchem salas de campi universitários na RUF e reuniões no Campus Outreach. Estes jovens cristãos estão numa jornada em direção ao Calvinismo.[1]

 A jornada em direção ao Calvinismo, Novo Calvinismo, Neo-Calvinismo, Neo-Puritanismo, teologia reformada – como quer que prefira chamá-lo – é uma na qual eu estava durante a universidade. Enquanto caminhava, eu descobri a centralidade da Escritura, a depravação da humanidade e a beleza da graça imerecida de Deus. Todavia, eu nunca cheguei ao destino de ser convencido que o entendimento reformado de Deus e sua obra neste mundo era verdadeiro.

 Austin Fischer, autor de Young, Restless, No Longer Reformed, chegou a este destino. Quando chegou, ele logo descobriu um Deus que estava principalmente preocupado com glória – um Deus que até mesmo valorizava a auto-glorificação mais do que a salvação dos outros. Austin descobriu um Deus cuja natureza e obra no mundo não se relacionava com as formas que os seres humanos concebem o amor, a justiça e a bondade. Finalmente, ele se descobriu numa relação com um Deus que não parecia o Jesus encontrado nos evangelhos. E assim ele começou a desafiadora tarefa de abandonar um destino numa jornada em direção a um outro ainda desconhecido.

 Fischer narra esta jornada – para dentro e fora do Calvinismo – em seu recém-lançado livro Young, Restless, No Longer Reformed. A jornada de Fischer irá envolver os leitores de todas as persuasões teológicas, mas são seus argumentos teológicos para abandonar o Calvinismo elaborados em toda a sua narrativa que forçarão os leitores a parar a leitura de cada capítulo para refletirem sobre as questões “Quem é Deus?” e “Como eu fico sabendo?”

 Todos os argumentos de Fischer são encaminhados para uma única pergunta: “O Deus do Calvinismo corretamente representa o Deus revelado em Jesus?” Fischer conclui, “Não.”

 Contando com as Escrituras e teólogos como Jürgen Moltmann, Richard Hays, N. T. Wright e Karl Barth, Fischer aborda a natureza de Deus, a eleição, a soberania e o amor. Ele argumenta que o Deus cujo caráter e coração são revelados em Jesus não existe para si mesmo e sua própria glória. Ele não ordena meticulosamente toda ação no mundo – incluindo o mal e o pecado. Deus intencionalmente não cria pessoas que serão condenadas por pecados que elas não tiveram nenhuma escolha senão cometê-los, para que a plenitude de seu caráter pudesse ser exibido.

 Ao invés disso, Fischer afirma que o Deus revelado em Jesus cria, é esmagado sobre uma cruz, e oferece redenção a todos de seu eternamente abnegado amor. Deus não contribui com o mal, o pecado e o sofrimento no mundo, mas, pelo contrário, se esvaziou em Jesus e entrou no mundo devastado a fim de curá-lo. E este auto-esvaziamento continua enquanto Deus concede um nível de liberdade e controle a sua criação para que o amor da humanidade por ele, em resposta ao seu por ela, possa ser livremente escolhido.

 “A glória de Deus é a glória do amor,” Fischer resume.

 Durante todo o seu criterioso e claro engajamento com estas questões espinhosas que têm penetrado comunidades cristãos por séculos, Fischer escreve com humildade e confiança antes que com arrogância e certeza. Ele reconhece que não devemos dominar a divindade, mas deixar que a divindade nos domine. Talvez ele, como eu, reconhece que se não fosse pelos seus amigos reformados, ele não estaria onde está hoje, no caminho do discipulado.

 

Young, Restless, No Longer Reformed é um livro que eu gostaria que tivesse sido escrito anos atrás. Mas sou grato por poder distribuir cópias a outras pessoas agora, particularmente àquelas nessa conhecida jornada. O livro de Fischer é um daqueles que deve ser lido por todos os cristãos que esperam aprofundar seu entendimento sobre Deus – jovens, idosos, reformados, arminianos, ou algo entre os dois. Como A. W. Tozer uma vez disse, “O que vem a nossa mente quando pensamos sobre Deus é a coisa mais importante sobre nós…. Nossa tendência, pela lei secreta da alma, é nos mover em direção a nossa imagem mental de Deus.”

 Fonte: http://seedbed.com/feed/book-review-young-restless-longer-reformed/

 Tradução: Paulo Cesar Antunes

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