Porque Deus Não Salva a Todos?

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Analisando a Resposta de John Piper para o Problemacalvario.jpeg

John Piper acredita que Deus quer que todos os homens sem exceção sejam salvos. Diferentemente de seus colegas calvinistas, ele não faz nenhum esforço para tentar minimizar a força de versículos como Ez 18.23, 1Tm 2.4 e 2Pe 3.9, que afirmam o desejo divino de salvação universal. Além disso, ele defende que a graça é irresistível, ou seja, que ela finalmente triunfará sobre a resistência daqueles que Deus quer salvar. Disso surge o problema: por que Deus não salva a todos? Piper conclui que Deus deve valorizar algo mais do que a salvação de todos.

 “A resposta dada pelos calvinistas é que o valor maior é a manifestação de toda a gama da glória de Deus em ira e misericórdia (Rm 9.22-23) e a humilhação do homem de forma que ele possa dar todo o crédito a Deus pela sua salvação (1Co 1.29).”

 A resposta é engenhosa, mas ela não está livre de alguns problemas.

 1 – Os versículos apresentados (Rm 9.22-23) por Piper não estão dizendo isso. Eles de fato afirmam que Deus tanto quis mostrar a sua ira sobre alguns quanto a sua misericórdia sobre outros, mas isso não como resultado de um suposto dilema que Deus teria enfrentado na eternidade de salvar a todos ou manifestar “toda a gama da glória de Deus em ira e misericórdia”.

 2 – A ira e a misericórdia de Deus foram manifestadas, em seu grau máximo, na cruz de Cristo, de forma que escolher alguns para a perdição eterna não faria a glória de Deus brilhar mais intensamente do que ela já foi. Se Deus alguma vez enfrentou esse dilema, ele poderia muito bem ter resolvido mostrando toda a gama de sua glória na cruz de Cristo e ainda assim decidido salvar a todos.

 Para o próximo problema ficar ainda mais claro, é interessante citar Jonathan Edwards, um dos teólogos mais admirados por John Piper:

 “Assim o mal é necessário para a glória de Deus ser perfeitamente e completamente demonstrada. É também necessário para a mais elevada felicidade da humanidade, porque nossa felicidade consiste no conhecimento de Deus e na percepção de seu amor. E se o conhecimento de Deus é imperfeito (por causa de uma demonstração desproporcional de seus atributos), a felicidade da criatura deve ser proporcionalmente imperfeita.”

 3) O terceiro – e mais grave – problema na resposta de John Piper é que, se verdadeira, ela nos leva à conclusão que Deus precisa do pecado e do mal. Segundo Edwards e Piper, Deus precisa do pecado e do mal para mostrar-se glorioso perfeita e completamente e para a mais elevada felicidade da humanidade (com exceção daqueles que sofrerão eternamente, presumo).

 Há muitas afirmações não provadas nessa pequena citação de Edwards. São elas:

 – Um universo com pecado (e todas as desgraças resultantes) torna Deus mais glorioso do que um sem pecado.

 – Deus não conseguiria revelar-se como ele é a não ser que houvesse pecado.

 – É preciso haver uma demonstração de todos os atributos de Deus para o conhecimento, e consequentemente a felicidade, da humanidade ser perfeito.

 Sobre todas essas afirmações, é de se questionar se antes do pecado ter invadido a criação, Deus era menos glorioso, impossível de ser conhecido e as criaturas eram menos felizes. Enquanto essas afirmações não forem provadas, não podemos ingenuamente aceitar uma resposta que carrega consigo a trágica conclusão que Deus precisa do pecado para revelar quem ele é e levar felicidade para as suas criaturas.

Paulo Cesar Antunes

_________________________________________________ fonte: http://www.arminianismo.com

Olhando Para Jesus (Hb 12:2)

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Henry Orton WileyArminius Hoje

 Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hb 12.2 ARA

 O escritor de Hebreus pede agora aos seus leitores que voltem o olhar para Jesus, exaltado acima de todos e assentado à destra do trono de Deus.

 O verbo olhar – em olhando firmemente – é aphorontes (Αφορωντες), que significa tirar a vista das coisas que estão perto e desviam a nossa atenção e, conscientemente, fixar os olhos em Jesus como o nosso grande alvo. Significa ainda interesse que absorve por completo, perfeitamente expresso pelas palavras com olhos só para Jesus.

 A expressão autor e consumador da nossa fé tem sido interpretada de várias maneiras. A palavra traduzida como autor é archegon (Αρχηγος), líderpioneiro, sendo o mesmo vocábulo traduzido como capitão (da nossa salvação) em Hebreus 2.10 (KJ). A palavra consumador é teleioten (τελειωτής), aperfeiçoadorque completa (cp. Hb 10.14).

 Em olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o possessivo nossa [que aparece nas versões KJ e na NVI, mas não na ARA e na ARC], antes de , está em itálico ou entre parêntesis, pois no grego temos apenas a . No entanto, não significa a  no sentido objetivo, como o fundamento cristão, mas subjetivo, como o princípio que rege o coração e a vida do ser humano.

 A escolha da palavra archegonlíder ou pioneiro, em vez de aitios (αἴτιος), autor, no sentido de originador, é muito significativa. Como observou Davidson, na presente acepção, as palavras não “podem significar que Cristo, como Autor, originou a fé em nós e, como Aperfeiçoador, sustém-na e a leva a um resultado perfeito”, isto é, incondicionalmente quanto ao conceder e ao aperfeiçoar; a ênfase é, antes, sobre Cristo como o grande Pioneiro da fé que, na Sua vida terrena, tendo perfeitamente alcançado o ideal e terminado a corrida, está agora assentado à destra do trono de Deus.

 Em Hebreus 2.10 a palavra archegon, como capitão (KJ), refere-se em especial à preparação de Jesus para a liderança; neste caso, Ele se tornou o Alvo da realização, o Centro de toda a visão cristã. No entanto, é ainda o Líder, que do Seu trono nos céus ministra pelo Espírito a força, a perseverança, paciência e toda a graça necessária em meio ao sofrimento e aos conflitos. Para os que o seguem com confiança, Ele se tornará o aperfeiçoador, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram (2 Ts 1.10 ARA).

 A seguir, o autor da Epístola aos Hebreus passa a uma consideração da experiência de humilhação de Jesus, vividamente descrita para encorajamento dos leitores – palavras que são apenas a amplificação de Sua obra como o autor e consumador da fé.

 O escritor encontra três semelhanças entre os herois da fé e Jesus. Pela fé, aqueles passaram por grandes lutas e aflições, em parte porque foram exibidos como espetáculo ignominioso, em parte porque se tornaram companheiros dos que foram alvos daquelas tribulações. Assim também Jesus, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia (Hb 12.2b). Esta oração é introduzida pela palavra anti (ἀντί), que significa dar em troca ou, especialmente aqui, em consideração de.

 O vocábulo traduzido como alegria é charas (χαρά) – não aquilo a que Jesus renunciou ao encarnar, mas a alegria que lhe estava proposta. Era a alegria como recompensa do Seu autossacrifício pela salvação dos homens; um autossacrifício que em si mesmo era uma recompensa satisfatória. Mas significava também a alegria de ser exaltado ao trono de Deus e levar consigo a Sua natureza e a nossa, coroando assim a obra redentora por toda a eternidade. Era a alegria de administrar do trono a Sua vida celestial mediante o Espírito Santo, e assim aperfeiçoar para sempre os que são santificados (Hb 10.14). Esta foi a alegria que lhe foi proposta – uma alegria que enche com a Sua glória.Cruz, 

  O que fez Jesus pra ter essa alegria? Suportou a cruz. Temos aqui de novo a palavra hupemeinem (ὑπομένω), anteriormente traduzida como paciência, mas aqui mais propriamente traduzida como suportou com perseverança.

 A palavra traduzida como cruz é stauron (σταυρός), viga ou poste introduzido no chão para execução de criminosos, vindo depois a significar a cruz.

 A frase não fazendo caso da ignomínia ou desprezando a afronta (ARC) foi chamada o grande paradoxo.Desprezar a afronta não significa que Cristo a tinha por desprezível, mas por pequena, comparada com a alegria que lhe foi proposta.

 As palavras cruz e vergonha (NVI) são usadas sem o artigo para salientar a qualidade – coisas como a cruz e a vergonha, e assim servem para colocar em maior relevo a profundidade da abnegação de Cristo. Jesus, sendo santo em si mesmo, foi intensamente sensível à vergonha da cruz, morrendo aos olhos da Lei como um criminoso, mas não permitiu que isso fizesse vacilar Sua lealdade à vontade do Pai.

 

Fonte: A Excelência da Nova Aliança em Cristo: Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus, pp. 509, 510

Resenha do Livro Young, Restless, No Longer Reformed de Austin Fischer

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Jonathan AndersenProcessed with VSCOcam with t1 preset

 

Austin Fischer, Young, Restless, No Longer Reformed (Cascade Books, 2014).

 Muitos jovens cristãos durante a última década estiveram numa jornada semelhante. Eles têm fé em Jesus Cristo, paixão para compartilhar o amor de Deus com o mundo e desejo de aprofundar-se espiritualmente. Quando buscam crescer, eles encontram escritores como John Piper, David Platt, R. C. Sproul e J. I. Packer, que os desafiam a trocar um evangelho americano burguês confortável por um evangelho que magnifica a glória de Deus. Estes cristãos vão para as conferências Passion, ouvem Lecrae e enchem salas de campi universitários na RUF e reuniões no Campus Outreach. Estes jovens cristãos estão numa jornada em direção ao Calvinismo.[1]

 A jornada em direção ao Calvinismo, Novo Calvinismo, Neo-Calvinismo, Neo-Puritanismo, teologia reformada – como quer que prefira chamá-lo – é uma na qual eu estava durante a universidade. Enquanto caminhava, eu descobri a centralidade da Escritura, a depravação da humanidade e a beleza da graça imerecida de Deus. Todavia, eu nunca cheguei ao destino de ser convencido que o entendimento reformado de Deus e sua obra neste mundo era verdadeiro.

 Austin Fischer, autor de Young, Restless, No Longer Reformed, chegou a este destino. Quando chegou, ele logo descobriu um Deus que estava principalmente preocupado com glória – um Deus que até mesmo valorizava a auto-glorificação mais do que a salvação dos outros. Austin descobriu um Deus cuja natureza e obra no mundo não se relacionava com as formas que os seres humanos concebem o amor, a justiça e a bondade. Finalmente, ele se descobriu numa relação com um Deus que não parecia o Jesus encontrado nos evangelhos. E assim ele começou a desafiadora tarefa de abandonar um destino numa jornada em direção a um outro ainda desconhecido.

 Fischer narra esta jornada – para dentro e fora do Calvinismo – em seu recém-lançado livro Young, Restless, No Longer Reformed. A jornada de Fischer irá envolver os leitores de todas as persuasões teológicas, mas são seus argumentos teológicos para abandonar o Calvinismo elaborados em toda a sua narrativa que forçarão os leitores a parar a leitura de cada capítulo para refletirem sobre as questões “Quem é Deus?” e “Como eu fico sabendo?”

 Todos os argumentos de Fischer são encaminhados para uma única pergunta: “O Deus do Calvinismo corretamente representa o Deus revelado em Jesus?” Fischer conclui, “Não.”

 Contando com as Escrituras e teólogos como Jürgen Moltmann, Richard Hays, N. T. Wright e Karl Barth, Fischer aborda a natureza de Deus, a eleição, a soberania e o amor. Ele argumenta que o Deus cujo caráter e coração são revelados em Jesus não existe para si mesmo e sua própria glória. Ele não ordena meticulosamente toda ação no mundo – incluindo o mal e o pecado. Deus intencionalmente não cria pessoas que serão condenadas por pecados que elas não tiveram nenhuma escolha senão cometê-los, para que a plenitude de seu caráter pudesse ser exibido.

 Ao invés disso, Fischer afirma que o Deus revelado em Jesus cria, é esmagado sobre uma cruz, e oferece redenção a todos de seu eternamente abnegado amor. Deus não contribui com o mal, o pecado e o sofrimento no mundo, mas, pelo contrário, se esvaziou em Jesus e entrou no mundo devastado a fim de curá-lo. E este auto-esvaziamento continua enquanto Deus concede um nível de liberdade e controle a sua criação para que o amor da humanidade por ele, em resposta ao seu por ela, possa ser livremente escolhido.

 “A glória de Deus é a glória do amor,” Fischer resume.

 Durante todo o seu criterioso e claro engajamento com estas questões espinhosas que têm penetrado comunidades cristãos por séculos, Fischer escreve com humildade e confiança antes que com arrogância e certeza. Ele reconhece que não devemos dominar a divindade, mas deixar que a divindade nos domine. Talvez ele, como eu, reconhece que se não fosse pelos seus amigos reformados, ele não estaria onde está hoje, no caminho do discipulado.

 

Young, Restless, No Longer Reformed é um livro que eu gostaria que tivesse sido escrito anos atrás. Mas sou grato por poder distribuir cópias a outras pessoas agora, particularmente àquelas nessa conhecida jornada. O livro de Fischer é um daqueles que deve ser lido por todos os cristãos que esperam aprofundar seu entendimento sobre Deus – jovens, idosos, reformados, arminianos, ou algo entre os dois. Como A. W. Tozer uma vez disse, “O que vem a nossa mente quando pensamos sobre Deus é a coisa mais importante sobre nós…. Nossa tendência, pela lei secreta da alma, é nos mover em direção a nossa imagem mental de Deus.”

 Fonte: http://seedbed.com/feed/book-review-young-restless-longer-reformed/

 Tradução: Paulo Cesar Antunes

Hades: O Que Ele É?

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Jack Cottrelljack cottrell - arminius hoje

 

PERGUNTA: Tenho visto a palavra “Hades” no Novo Testamento várias vezes, mas não estou certo quanto ao que significa. Você pode explicar isso?

 RESPOSTA: Posso tentar. Primeiro, o equivalente a Hades no Antigo Testamento é Sheol, que aparece cerca de 65 vezes nos escritos do Antigo Testamento. O Antigo Testamento Grego (a Septuaginta) traduz essa palavra com Hades quase o tempo todo. O Novo Testamento usa Hades dez vezes (ou 11 se 1Co 15.55 for contado). O que é mais importante lembrar é que estas palavras estão sempre relacionadas à morte. Elas são o lugar ou a localização dos mortos. Em relação a isto, veja Sl 18.5; Pv 5.5; Is 28.15; Ap 1.18; 6.8.

 Para entender adequadamente estes termos, devemos antes de tudo aceitar a inspiração completa de toda a Bíblia, bem como a unidade e a coerência dos conteúdos de seu ensino. Em segundo lugar, temos de aceitar o ensinamento bíblico de que os seres humanos consistem de duas partes, o corpo físico e o espírito ou alma. Elas foram feitas para existir em conjunto, mas são separadas no momento da morte física. Finalmente, devemos aceitar o fato de que existem três aspectos da morte que se abateu sobre a raça humana como resultado do pecado: a morte física do corpo, a morte espiritual da alma (Ef 2.1, 5), e a morte eterna no inferno, o lago de fogo, que é “a segunda morte” (Ap 20.14; 21.8).

 Grande parte da confusão sobre a natureza do Hades (Sheol) é resultado da negação da realidade da alma ou espírito como um aspecto real e separado da natureza humana. Tal negação é central na teologia das Testemunhas de Jeová e Adventistas do Sétimo Dia, por exemplo. A existência da alma também está se tornando cada vez mais questionada até mesmo em círculos evangélicos. Aqueles que assim veem os seres humanos, como corpos somente, nunca irão entender adequadamente a natureza do Hades. (Sobre a natureza dualista do homem, veja meu livro, The Faith Once for All, páginas 134-147.)

 Como, então, devemos entender o Hades, o lugar e poder da morte? Em primeiro lugar, devemos entender que às vezes Sheol no Antigo Testamento e Hades no Novo Testamento se referem à sepultura, que engole os corpos dos que morrem, justos e injustos. Aqueles que negam a existência da alma muitas vezes dizem que Sheol e Hades semprese referem à sepultura, mas eles estão enganados. Alguns (como Robert Morey) dizem que estas palavras nunca se referem à sepultura, mas isso também está errado.

 Por um lado (contra Morey), em alguns textos Sheol/Hades significam claramente o túmulo. Em seu sentido de “lugar dos mortos”, Sheol/Hades é o lugar abaixo da superfície da terra, onde os cadáveres são enterrados. Como tal, tanto o justo quanto o ímpio entram no Sheol/Hades, o inimigo que captura e devora todos os membros da raça de Adão. Desta forma, até mesmo para o justo, a morte parece ser vitoriosa, uma vez que a sepultura nos engole a todos e transforma nossos corpos de novo em pó (veja Sl 89.48; 116.3; 141.7; Is 38.10). Neste sentido Sheol/Hades é algo a ser receado e temido, algo do qual todos nós ansiamos ser libertados e redimidos (Sl 49.14-15; 86.13; Os 13.14). Esta é a luz na qual o Salmo 16.10 deve ser entendido: “Pois não deixarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção”. (Aqui a palavra “alma” tem o sentido de “a própria pessoa”; “minha alma” significa “eu, eu mesmo”) Em Atos 2.27, 31 Pedro cita isto como uma profecia da ressurreição do túmulo do corpo de Jesus, pela qual “Ele não foi abandonado no Hades, nem a sua carne viu a corrupção.” Isto se refere apenas ao corpo de Cristo como enterrado e ressurgido da sepultura (Sheol/Hades), não ao estado ou atividade de seu espírito entre sua morte e ressurreição.

 Por outro lado (contra aqueles que negam a existência da alma), em alguns textos onde Sheol/Hades se refere a um local específico, ele não se refere à sepultura como o receptáculo do corpo, mas ao lugar para o qual os espíritos dealguns dos mortos são levados, onde eles existirão em seu estado intermédiário (incorpóreo, consciente) até o retorno de Cristo. Visto que o Sheol/Hades é o lugar dos mortos, somente as almas dos ímpios são colocadas no Sheol/Hades no sentido de um lugar de espera para almas desencarnadas (veja Jó 24.19; Sl 09.17; 31.17; 55.15; Pv 9.18; 23.14; Is 14.13-15; Mt 11.23). As almas dos justos não entram no Sheol/Hades, visto que suas almas não se encontram em um estado de morte espiritual, mas foram vivificadas pelo poder vivificador de Deus (Ef 2.5-6; Cl 2.12-13). Portanto, não devemos pensar que Sheol/Hades seja ocupado pelas almas dos justos e dos injustos (Sl 49.14-15; 86.13; Pv 15.24).

 Como o lugar onde os ímpios habitam até o julgamento, o Sheol/Hades é visto como um inimigo ou capturador com todo o seu terror. Na história de Jesus do homem rico e Lázaro, é dito que somente o homem rico (personificando os ímpios em geral) está em tormentos “no Hades” (Lc 16.23).

 Em ambos os seus significados específicos, (1) a sepultura como o receptáculo dos corpos de todos os homens e (2) o lugar de habitação intermediário para as almas dos ímpios, Sheol/Hades é o inimigo da humanidade, uma força sórdida conquistada pela obra redentora do Cristo crucificado e ressuscitado (Ap 1.18) e da qual encontramos refúgio na igreja (Mt 16.18). No final ele será finalmente destruído no lago de fogo (Ap 20.14).

 Para onde então as almas dos justos vão quando na morte elas são separadas do corpo? Seu destino nunca é chamado Sheol ou Hades. Elas são descritas como estando no seio de Abraão (Lc 16.23), no Paraíso (Lc 23.43), “em casa com o Senhor” (2Co 5.8), e sob o altar celestial (Ap 6.9). Podemos nos referir a isto simplesmente como o Paraíso (veja 2Co 12.4), que não deve ser considerado apenas como uma seção do Hades. As almas dos justos foram “aperfeiçoadas” (Hb 12.23), e isso inclui serem plenamente vivificadas em um sentido espiritual. Elas não têm mais o odor e a pena de morte espiritual sobre elas, e, portanto, não são propriamente cidadãs do Hades, que é lugar de morte. Os justos estão “no Hades” somente no sentido que seus corpos estão na sepultura.

 Onde estão localizados o Paraíso e o Sheol/Hades? O Paraíso, como o lugar onde as almas dos justos mortos existem em seu estado intermediário, é equivalente à, ou pelo menos adjacente à, sala do trono celestial, uma região do universo invisível criado para a raça angélica. Esta conclusão se baseia em dois fatos: Primeiro, João viu as almas de pelo menos alguns dos justos mortos sob o altar deste céu (Ap 6.9). Em segundo lugar, quando morrermos, nossas almas estarão na presença de Cristo (2Co 5.8; Fp 1.23), e o próprio Cristo em sua existência humana glorificada está presentemente nesta sala do trono celestial (At 7.55; Ap 3.21; 5.6, 13). Quando morrermos, nossas almas despertarão em consciente êxtase nesse lugar abençoado.

 Mas onde está o Sheol/Hades, o lugar para o qual as almas dos ímpios são conduzidas após a morte? Podemos apenas especular sobre isso. Mas com base no acima exposto, eu deduzo que esta é também uma parte do universo invisível, uma região distante ou inferior longe da presença de Deus e do Cristo glorificado, talvez adjacente ao lugar chamado Tártaro, ocupado por alguns anjos caídos (2Pe 2.4). É um lugar de trevas (Jó 17.13), tristeza e sofrimento, sem luz e sem esperança. É o lugar onde os seres humanos perdidos aguardam o julgamento final e seu envio eterno para o inferno.

 (Para estes e outros detalhes sobre a vida após a morte, veja o meu livro, The Faith Once for All, capítulo 29, sobre “O Estado Intermediário.”)

 

Fonte: http://jackcottrell.com/notes/hades-what-is-it/

 Tradução: Cloves Rocha dos Santos

A Razão para a Demora Aparente (2Pe 3.9)

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Stanley M. Horton

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O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

 Pedro dá mais uma razão à aparente demora na volta de nosso Senhor (2 Pe 3.9): a necessidade de pregarmos o Evangelho. Não foi isto o que Paulo quis dizer quando descreveu a volta de Cristo em glória com seus poderosos anjos, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao Evangelho? “Estes sofrerão penalidades de eterna destruição; serão banidos da face do Senhor e da glória de seu poder” (2 Ts 1.8, 9). A volta de Cristo é, pois, parte de uma sequência de julgamentos que há de terminar no Grande Trono Branco (Ap 20.11-15).

 Sendo assim, a oportunidade de espalharmos o Evangelho um dia chegará ao fim. O Senhor (2 Pe 3.9) não está negligenciando nem atrasando sua promessa. Sua demora não é questão de negligência. É porque Deus sofre em relação a nós. Não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. E que entre os salvos haja redimidos de “toda família, e língua, e povo, e nação”. Que todos estes sejam reis e sacerdotes, e que reinem com Cristo por toda a eternidade (Ap 5.9, 10).

 Jesus ainda alertou quanto aos que passarão para o caminho largo, “porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Além do mais, em relação à população total do mundo, os salvos são poucos; seu número incluirá eventualmente “uma grande multidão que ninguém pode enumerar” (Ap 7.9). Sim, esta é a única razão para a aparente demora de sua vinda. Ele almeja que haja um número maior de salvos.

 A época da vinda de Cristo não nos é revelada. O dia e a hora não eram conhecidos nem por Jesus enquanto estava entre nós, em virtude de sua identificação com as nossas limitações (Mc 13.32). Então não devemos supor que qualquer de nós possa lograr obter tal informação. Jesus ainda enfatizou que sua vinda seria repentina e inesperada, sem nenhuma oportunidade para preparações de última hora.

 Fonte: 1 e 2 Pedro, pp. 107-108

O Que É Graça Preveniente (Precedente)

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Timothy C. Tennenttimothy c. tennent

 

Anteriormente nós aprendemos que é parte da natureza de Deus o desejo de revelar-se a nós. Deus não está meramente interessado em nos dar regras pelas quais nós devemos viver. Ele quer que nós o conheçamos e entremos numa relação de aliança com ele através de Jesus Cristo. Esta natureza auto-revelatória de Deus aparece de muitas maneiras, incluindo na criação, em nossas consciências, na Escritura e finalmente em Jesus Cristo.

 É importante entender que a salvação nunca começa com algo que nós fazemos, mas sempre como uma resposta a algo que Deus fez. Pensar que a salvação começa com nosso arrependimento de nossos pecados e convite para que Jesus entre em nossos corações não é a forma que as Escrituras entendem todo o processo de salvação. Antes, a salvação sempre começa com uma ação anterior de Deus. Ele age, e nós respondemos ou resistimos. Ela sempre segue esse padrão.

 Uma abordagem de todas as maneiras que Deus nos prepara para receber o evangelho é usar o termo “graça preveniente (precedente)”. A graça preveniente diz respeito a todos esses atos da graça em nossas vidas que antecedem a nossa conversão. Sabemos que tal graça existe porque Jesus disse que “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (Jo 6.44). Há uma “atração” ou “preparação” que precede nossa efetiva conversão.

  A outra razão que sabemos que a graça de Deus deve preceder nossa decisão de seguir a Cristo é que as Escrituras nos ensinam que estamos mortos em nossos delitos e pecados à parte de Cristo (Ef 2.1). As Escrituras não ensinam que estamos meramente doentes ou que o nosso progresso espiritual geral é lento, mas que estamos espiritualmente mortos. (Esta é uma outra grande característica distintiva do Cristianismo.) Isto significa que somos incapazes de nos ajudar ou de nos salvar sem uma ação prévia de Deus.

 Muitos cristãos creem na doutrina da depravação total. Isso significa que os seres humanos estão mortos em seus pecados e não podem fazer nada para ajudar ou melhorar seu estado espiritual diante de Deus. Entretanto, é também um ponto de vista cristão crer no livre arbítrio. Isto significa que afirmamos que Deus quer que agimos e tomamos decisões a seu favor. Este é o problema: Como uma pessoa espiritualmente morta pode agir ou decidir dar suas vidas a Cristo? A Bíblia está repleta de prescrições para agir – as pessoas são chamadas a se arrepender, crer, vir, decidir e assim por diante. A resposta é a doutrina da graça preveniente. Esta é a ponte entre a depravação humana e o livre exercício da vontade humana. A graça preveniente é um ato soberano de Deus pelo qual ele suspende a raça humana de sua depravação e nos concede a capacidade de respondermos à graça de Deus. Ela é um ato de Deus de favor imerecido. É a luz de Deus “que ilumina a todo o homem” (Jo 1.9, ACF), que nos levanta e permite que exercemos nossa vontade e respondemos à graça de Cristo.

 Deus toma a iniciativa para criar uma capacidade universal para a raça humana para receber sua graça.  Muitos, obviamente, ainda resistem a sua vontade e persistem em rebelião contra Deus. A doutrina da graça preveniente protege a igreja de visões que argumentam que não há nenhuma natureza pecaminosa. Ela também protege a igreja de visões que argumentam que Jesus morreu somente por aqueles que foram eleitos desde toda a criação para ser seguidores de Cristo. A graça preveniente preserva tanto a depravação da raça humana quando nossa confiança que Jesus morreu por cada pessoa que já viveu ou irá viver. De fato, a graça preveniente tecnicamente não afirma o livre arbítrio no sentido que todos podemos decidir seguir a Cristo sempre que quisermos, porque isto pressiona a salvação demais para a ideia que ela depende de nossa iniciativa. Pelo contrário, o que é algumas vezes chamado de “livre arbítrio” é na verdade “arbítrio liberto,” uma vontade escravizada que foi libertada por um ato imerecido da graça de Deus. Ela não é, obviamente, livre em todo aspecto possível, visto que todos ainda somos influenciados de muitas maneiras pelos efeitos da Queda; mas agora temos uma capacidade restaurada que possibilitou que nosso coração, mente e vontade respondessem à graça de Deus.

 

Leitura das Escrituras

 

Isaías 55.1

João 1.9

João 6.44

João 12.32

João 16.8-11

Atos 14.17

Atos 16.13-15

Romanos 2.4

1 Timóteo 2.4-6

Tito 2.11

 

Fonte: http://seedbed.com/feed/prevenient-preceding-grace-30-questions/

 Tradução: Paulo Cesar Antunes

A Expiação

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Laulaurencemvancerence M. Vance

Assim como a negação da Eleição Incondicional é interpretada pelos calvinistas como um afastamento da salvação pela graça, da mesma forma os calvinistas deduzem que qualquer um que nega a Expiação Limitada rejeita a verdadeira doutrina da Expiação conforme encontrada na Bíblia. Portanto, uma pesquisa sobre a verdadeira natureza da doutrina bíblica da Expiação é conveniente a fim de assentar as bases para a rejeição da Expiação Limitada e defesa de uma expiação ilimitada. A morte de Jesus Cristo é universalmente reconhecida como sendo um dos mais significativos eventos da história. Ao cristão, porém, ela é muito mais que um simples evento histórico, é a expiação para os pecados designada pelo próprio Deus. E como A. A. Hodge declara: “A doutrina da Expiação é evidentemente o elemento central e principal da doutrina da Justificação.”[1] A Expiação é a marca distintiva do Cristianismo. Buda (c. 563-483) e Maomé (570-632) jamais professaram morrer pelos pecados de alguém. Embora a Bíblia seja clara em sua descrição da natureza da Expiação, a falha em se crer nela conforme foi escrita tem resultado em um sem-número de teorias, todas elas notavelmente deficientes em um aspecto: Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.

 Antes de prosseguir para o propósito bíblico da Expiação, vamos primeiramente fazer uma digressão para examinar o que a expiação não é, a partir de algumas das teorias divergentes sobre ela:

 1. Teoria do Resgate: primeiramente defendida por Orígenes (184-254), esta teoria sustenta que a morte de Cristo constituía um resgate pago a Satanás. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[2]

 2. Teoria da Recapitulação: primeiramente defendida por Irineu (130-200), esta teoria sustenta que Cristo recapitulou em si mesmo todos os estágios da vida humana, experimentando tudo que Adão experimentou, e compensando a desobediência de Adão pela sua obediência. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[3]

 3. Teoria Comercial: primeiramente defendida por Anselmo (1033-1109), esta teoria sustenta que a morte de Cristo restaurou a honra a Deus Pai que havia sido roubada dele pelo pecado do homem. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[4]

 4. Teoria da Influência Moral: primeiramente defendida por Abelardo (1079-1142), esta teoria sustenta que a morte de Cristo foi uma manifestação do amor de Deus pelo pecador para influenciá-lo. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[5]

 5. Teoria do Exemplo: primeiramente defendida pelos socinianos, esta teoria sustenta que Cristo morreu como um mártir como um exemplo de obediência para inspirar os homens à correção. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[6]

 6. Teoria do Acidente: popularizada por Albert Schweitzer (1875-1965), esta teoria sustenta que a morte de Cristo foi meramente um acidente. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[7]

 7. Teoria Governamental: primeiramente defendida por Grotius, esta teoria sustenta que a morte de Cristo foi uma demonstração que revelou o ódio de Deus pelo pecado a fim de manter o respeito pela sua lei. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[8]

 8. Teoria Mística: defendida com algumas diferenças por vários homens, esta teoria é semelhante à da Influência Moral, mas sustenta que uma mudança é produzida no homem, não por uma influência moral, mas por uma união mística de Deus e o homem realizada pela Encarnação. Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.[9]

 Como é evidente, cada uma destas teorias sofre de uma falha grave: Cristo não morreu pelos pecados de ninguém.

 Dirigindo agora das postulações de homens para os pronunciamentos da Bíblia, podemos ver a verdadeira natureza da Expiação: a ideia de substituição. Cristo não morreu apenas em favor de outros, mas no lugar de outros. Especificamente, a morte de Cristo foi uma substituição penal na qual ele se tornou portador do pecado e da maldição:

 Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2Co 5.21).

 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro (Gl 3.13).

 Que a morte de Cristo foi uma substituição penal pressupõe uma série de coisas. A santidade e justiça de Deus demandam que a pecaminosidade do homem deve ser punida. O Senhor Jesus Cristo, por ser o único a ser tanto Deus que se “manifestou em carne” (1Tm 3.16) quanto um homem “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7.26), era capaz de mediar ambas as partes: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Tm 2.5). Deus não poderia apenas perdoar o pecador, pois como Pink afirma: “O pecador somente é perdoado com base em Outro ter sofrido sua punição.”[10] Foi por esta razão que Jesus Cristo veio ao mundo:

 Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal (1Tm 1.15).

 Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste (Hb 10.5).

 Isto ele fez voluntariamente (Jo 10.17-18), completamente (Jo 19.30), de uma vez por todas (Hb 10.10), com uma oferta (Hb 10.14) para que Deus “seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26). Todavia, deve também ser lembrado que Deus não foi obrigado a realizar a expiação por alguém. Ele poderia não salvar ninguém e ainda assim ser santo e justo. A graça de Deus é qualquer movimento de Deus em direção ao homem.

 Acerca da Expiação de Cristo, o Novo Testamento menciona a palavra expiação apenas uma vez: “E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a expiação” (Rm 5.11). A Expiação, não como as muitas expiações do Antigo Testamento que somente cobriam o pecado, mas expressando especificamente aquilo que Cristo realizou para salvar os homens. Apesar do uso do termo expiação ser às vezes menosprezado,[11] Homer Hoeksema explica que “o termo expiação abrange aqueles termos confessionais como redenção, redimir, comprar, satisfazer, sacrifício propiciatório, etc. E o mesmo abrange aqueles termos bíblicos como reconciliação, propiciação, resgate, compra, etc. Ele simplesmente contempla todos estes vários termos bíblicos e confessionais de um ponto de vista bem básico.”[12]

 

A Expiação é apresentada na Escritura de diversas maneiras: Sacrifício, Resgate, Expiação, Propiciação, Reconciliação.

 1. Sacrifício: O sacrifício foi a provisão divinamente instituída pela qual o pecado pode ser coberto e a sujeição à ira e maldição removida. Ela envolveu um sofrimento substitutivo da pena ou sujeição devida ao pecado. Jesus Cristo devia oferecer a si mesmo como sacrifício pelos nossos pecados:

 Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão (Is 53.10).

 Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós (1Co 5.7).

 E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Ef 5.2).

 Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo (Hb 7.27).

 Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez (Hb 10.10).

 Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus (Hb 10.12).

 2. Resgate: O sacrifício de Cristo foi na forma de um resgate. Um resgate é a obtenção de uma liberação pelo pagamento de um preço. Ser redimido é ser liberto pelo pagamento de um resgate. Redenção pressupõe algum tipo de servidão ou cativeiro. Em sua morte sacrificial, Jesus Cristo foi nosso substituto, por meio dela nos redimindo:

 Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28).

 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados (Cl 1.14).

 O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo (1Tm 2.6).

 O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras (Tt 2.14).

 Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção (Hb 9.12).

 Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado (1Pe 1.18-19)

 3. Expiação: O resgate sacrificial de Cristo foi uma expiação penal visto que ela removeu a culpa do pecado ao cancelá-la e eliminá-la. A Expiação diz respeito ao efeito que a satisfação tem sobre o pecado ou o pecador. Isto é realizado pelo sofrimento vicário de nossa pena por Jesus Cristo.

 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

 Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2Co 5.21).

 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas (Hb 1.3).

 Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? (Hb 9.14).

 De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo (Hb 9.26).

 Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito (1Pe 3.18).

 4. Propiciação: Propiciar significa aplacar, pacificar, apaziguar, conciliar – todos os quais pressupõem a ira e o descontentamento de Deus. Por este motivo os liberais e os modernistas ficam estarrecidos com a ideia de propiciação. Negar a propiciação, entretanto, é negar a natureza da Expiação como uma satisfação necessária. Deus é santo e necessariamente deve ser “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26). A propiciação remove o descontentamento judicial de Deus. É o apaziguamento ou afastamento da ira de um Deus justo contra o pecado pela aceitação da morte de Cristo como um substituto satisfatório:

 Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus (Rm 3.25).

 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo (1Jo 2.2).

 Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados (1Jo 4.10).

 5. Reconciliação: A reconciliação contempla nossa alienação de Deus e o método de nos restaurar ao seu favor. A causa desta alienação é o nosso pecado; seu fundamento é a absoluta santidade de Deus. Por causa desta santidade, há inimizade entre Deus e o homem (Ef 2.15-16), porque nosso pecado necessariamente incita esta reação de sua santidade. O sacrifício propiciatório de Cristo é a causa para a reconciliação:

 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida (Rm 5.10).

 E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação (2Co 5.18-19). 

E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades (Ef 2.16).

 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou (Cl 1.20-21).

 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo (Hb 2.17).

 Os calvinistas menosprezariam igualmente todas estas falsas teorias da Expiação enquanto concordariam com a visão bíblica da Expiação acima. O problema é que eles não permitem que seus oponentes façam o mesmo. A rejeição da Expiação Limitada não significa que não podemos crer na doutrina da Expiação conforme encontrada na Bíblia. O argumento dos calvinistas com seus oponentes deve ser “limitado” à extensão da Expiação, não à sua natureza. Mas para fazer sua doutrina da Expiação Limitada mais palatável, os calvinistas tentam relacioná-la de todas as maneiras possíveis àqueles para os quais ela nunca foi pretendida: “os não-eleitos.”

 Numa tentativa de suavizar sua doutrina da Expiação Limitada, muitos calvinistas defenderão que a Expiação foi suficiente para todos os homens, mas eficiente apenas para os “eleitos.”[13] Apesar de usado desatentamente pelos não-calvinistas, o adágio foi inventado por Agostinho,[14] e é chamado por Dabney: “A bem conhecida fórmula calvinista.”[15] Ao citar esta fórmula ou falar sobre a Expiação tendo potencial salvador infinito,[16] os calvinistas podem fazer seus oponentes pensarem que a Expiação teve alguma relação com os “não-eleitos.” Há, porém, uma discórdia entre os calvinistas. Sproul, apesar de reconhecer que “o valor da expiação de Cristo é suficiente para cobrir os pecados do mundo,” afirma que são os arminianos que usam a fórmula que “a expiação é suficiente para todos, maseficiente apenas para alguns.”[17] Nettles sustenta que a Expiação não foi suficiente para todos – ela foi suficiente apenas para os “eleitos” – e que a fórmula suficiente/eficiente deixa de “diferenciar a expiação eficaz e definida da expiação geral.”[18] Ele apela aos “batistas calvinistas (e calvinistas de todos os tipos) a reexaminarem a fórmula tradicional ‘suficiente mas eficiente’ e talvez questionarem sua propriedade como uma descrição exata da expiação eficaz ou limitada.”[19]

 

Outra tática utilizada pelos calvinistas para relacionar sua doutrina da Expiação Limitada aos “não-eleitos” é falar sobre os benefícios da morte de Cristo para o mundo em geral. De acordo com Dabney, a morte de Cristo (1) “manifesta a benevolência e compaixão geral de Deus por todos os pecadores perdidos,” (2) “comprou para toda a raça humana um misericordioso adiamento da condenação incorrida pelos nossos pecados, incluindo todas as bênçãos temporais de nossa vida terrena, todas as restrições do Evangelho sobre a depravação humana, e a oferta sincera do céu a todos,” e, embora (3) “obstinadamente rejeitada pelos homens, coloca a resistência, perversidade e culpa de sua natureza em uma luz muito mais forte.”[20] Boettner acrescenta que a Expiação “forma uma base para a pregação do Evangelho e dessa forma introduz muitas influências morais enriquecedoras ao mundo e restringe muitas influências maléficas.”[21] Outros afirmam que a Expiação fornece uma “graça comum” a todos os homens.[22] Cunningham insiste que “os defensores da expiação universal, então, não têm nenhum direito de nos acusar de ensinar que ninguém obtém algum benefício da morte de Cristo exceto aqueles que são perdoados e salvos; nós não ensinamos isto, e não somos obrigados, por questão de consistência, a ensinar.”[23] Ao negar que uma expiação foi feita por eles, mas ao estender os benefícios da morte de Cristo aos “não-eleitos,” alguns calvinistas têm a audácia de dizer que eles creem que Cristo morreu por todos os homens:

 

Há, então, um certo sentido em que Jesus morreu por todos os homens, e não respondemos à doutrina arminiana com uma negativa não qualificada.[24]

 Cristo morreu por todo o mundo criado (Jo 3.16), incluindo Satanás.[25]

 Mas como o calvinista reformado holandês Homer Hoeksema apropriadamente afirma: “Se Cristo morreu apenas pelos eleitos, então não há benefícios possíveis na morte de Cristo para ninguém além daqueles por quem ele morreu.”[26] Somente esta visão é o Calvinismo consistente. E foi mantido por todo este capítulo, ainda que Cristo tenha realmente feito uma expiação por todos os homens, se certos homens não foram eleitos para a salvação, então o que importa se Cristo morreu por eles ou não? Não faz absolutamente nenhuma diferença se Cristo morreu pelos “não-eleitos,” pois no sistema do Calvinismo TULIP, os assim chamados não-eleitos não poderiam possivelmente ser salvos se Cristo morreu por eles ou não. É somente devido à natureza objetável da Expiação Limitada que alguns calvinistas tentam relacioná-la de todas as formas possíveis com aqueles pelos quais ela nunca foi pretendida.

Fonte: http://www.arminianismo.com


[1] A. A. Hodge, Atonement, p. 13.

[2] Berkhof, Theology, pp. 384-385.

[3] Ibid., p. 385.

[4] Ibid.

[5] Ibid., p. 386.

[6] Ibid., p. 387.

[7] Paul P. Enns, The Moody Handbook of Theology (Chicago: Moody Press, 1989), p. 320.

[8] Berkhof, Theology, p. 388.

[9] Ibid., p. 389.

[10] Arthur W. Pink, Gleanings in the Godhead (Chicago: Moody Press, 1975), p. 40.

[11] John Murray, Atonement, p. 9; A. A. Hodge, Atonement, pp. 33-34.

[12] Homer Hoeksema, Limited Atonement, p. 48.

[13] Talbot e Crampton, p. 30; Boettner, Predestination, p. 152; Kruithof, p. 60.

[14] Custance, p. 153.

[15] Dabney, Theology, p. 527.

[16] A. A. Hodge, Outlines of Theology, edição revista e ampliada (Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1972), p. 416; Shedd, Theology, vol. 2, p. 468.

[17] Sproul, Grace Unknown, p. 165.

[18] Nettles, By His Grace, p. 305.

[19] Ibid., p. 319.

[20] Dabney, Calvinism, p. 62, 63.

[21] Boettner, Predestination, p. 160.

[22] Kruithof, p. 60; Talbot e Crampton, p. 30; Gunn, p. 17; Palmer, p. 54.

[23] Cunningham, Theology, vol. 2, p. 333.

[24] Boettner, Predestination, p. 161.

[25] North, p. 43.

[26] Homer Hoeksema, Limited Atonement, p. 61.

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