Pós-Calvinismo: 3. Consequências

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Scot McKnight

Estou expressando em uma série de mensagens como “eu mudei de opinião” sobre o Calvinismo e adotei uma visão mais arminiana de se ou não o cristão pode lançar fora a redenção.

Esta jornada passou pelo livro de Hebreus, onde eu sugeri que podemos encontrar quatro elementos para cada Passagem de Advertência. Hoje eu quero analisar brevemente o quarto elemento, as consequências. Bem poucos discordarão disto, espero.

O primeiro comentário está em Hb 2.3: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” A resposta subentendida é “Não escaparemos”.

Aqui estão outras para considerarmos:

3.11: Não entrarão no meu descanso.

6.4-6: É impossível outra vez renová-los para arrependimento (cf. 12.16-17).

10.26: Já não resta sacrifício pelos pecados.

10.27: Pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.

10.28: Sem misericórdia morre.

10.30-31: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

10.39: Perdição.

Se aceitarmos a proposta que as Passagens de Advertências estão lidando com os mesmos sujeitos, etc., então podemos sintetizar esta evidência nesta conclusão: o autor de Hebreus alerta um grupo específico de pessoas sobre algum pecado e dizem a elas que se cometerem esse pecado, elas se encontrarão fora da companhia de Deus. Eles serão despojados.

Não vamos dizer o que o texto diz: aqui está uma advertência extrema sobre as terríveis consequências na eternidade.

Há bastante espaço aqui para debate teológico: o que Hebreus diz é consistente tanto com a visão tradicional/ortodoxa da eterna separação de Deus assim como com as mais recentes visões de alguns evangélicos britânicos sobre o Aniquilacionismo. Quanto a isso, estou certo que meus amigos teológicos católicos romanos me dirão que é também consistente com o purgatório. Vamos deixar isso para lá por agora (algum dia, no entanto). A advertência de Hebreus é extrema. Não se trata de uma ruptura de comunhão, mas do “grande abismo”.

Amanhã, escreverei sobre a exortação dada pelo autor à sua audiência.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

O calvinismo Leva ao Universalismo

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– Roger E. Olson

 


Está bem, talvez o Calvinismo não leva ao Universalismo inexoravelmente – como se todo calvinista devesse tornar-se um universalista. Entretanto, muitos teólogos universalistas proeminentes são/eram reformados e criam que seus conceitos calvinistas da soberania de Deus os compeliam finalmente a abraçar o Universalismo.

Dois notáveis exemplos vêm à mente: Friedrich Schleiermacher e Karl Barth. Sim, eu sei que alguns reformados rejeitarão um ou ambos – como não verdadeiramente reformado. Entretanto, alguém não consegue ler The Christian Faith de Schleiermacher e não perceber seus vigorosos princípios calvinistas. Para Schleiermacher Deus é a realidade toda-determinante e é por isso que ele rejeita a oração petitória – porque ela implica que Deus já não sabe o que é melhor. Para Schleiermacher, qualquer coisa que esteja acontecendo, incluindo o pecado e o mal, foi preordenado e tornado certo por Deus.

Schleiermacher abraçou o Universalismo porque ele não conseguia reconciliar o Deus de Jesus Cristo todo-determinante com o inferno. Se Deus é amor e todo-determinante, devemos concluir que há um propósito amoroso para tudo que acontece. Se Deus é o autor do pecado e do mal, então a punição eterna de pecadores no inferno é injusta. Schleiermacher o calvinista percebia a questão claramente e tirou a única conclusão lógica de sua elevada visão do amor e soberania de Deus.

Apesar de todas as suas diferenças de Schleiermacher, Karl Barth seguiu o mesmo caminho básico do Calvinismo ao Universalismo. Eu sei que alguns estudiosos de Barth não creem que ele foi universalista e que ele não adotou esse rótulo. Mas eu creio que o Universalismo está implícito em sua doutrina da eleição na qual se diz que Jesus é o único homem reprovado. Barth notoriamente declarou que nosso “não” a Deus não pode resistir ao “sim” de Deus a nós em Jesus Cristo. Para Barth, Deus é “Aquele que ama em liberdade”. Deus é também todo-determinante em sua soberania. Barth chamava sua soteriologia de “supralapsarianismo purificado” – purificado do inferno, mas todavia supralapsário! Barth percebia corretamente que a lógica interna do Calvinismo deve levar ao Universalismo SE ele levar a sério o amor como natureza de Deus.

A única maneira de um calvinista evitar o Universalismo é transformar Deus em um monstro moral que para sua própria glória condena ao inferno pessoas que ele poderia salvar. Uma vez que você entende, entretanto, que o inferno é totalmente desnecessário porque a cruz foi uma revelação suficiente da justiça de Deus, o inferno torna-se não apenas supérfluo, mas completamente injusto.

Digo algumas vezes que SE eu pudesse ser universalista, eu poderia ser calvinista. Bem, eu ainda teria o problema da responsabilidade humana. Mas meu ponto é que eu não me importo com o livre-arbítrio exceto na medida em que ele é necessário para explicar por que um Deus de amor permite que algumas pessoas pereçam eternamente. Se eu pudesse crer que Deus salva a todos incondicionalmente, que é o que eu penso que Barth cria, eu poderia ser calvinista. Uma razão de não poder ser calvinista é porque ser calvinista exigiria de mim que eu lançasse fora todos os textos bíblicos sobre o inferno porque eu não teria interesse em até mesmo ser cristão se o Deus do Cristianismo fosse um monstro moral.

Fonte: http://www.rogereolson.com/2010/12/10/calvinism-leads-to-universalism/

Tradução: Paulo Cesar Antunes

Fonte: Arminianismo.com