O Que é a Graça Preveniente?

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Uma doutrina arminiana crucial é a graça preveniente, na qual os calvinistas também acreditam, mas os arminianos a interpretam diferentemente. A graça preveniente é simplesmente aquela graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas a interpretam como irresistível e eficaz; a pessoa em quem ela opera irá crer e arrepender-se para salvação. Os arminianos a interpretam como resistível; as pessoas são sempre capazes de resistir à graça de Deus, como a Escritura chama a atenção (At 7.51). Mas sem a graça preveniente, elas inevitavelmente e inexoravelmente resistirão à vontade de Deus por causa de sua escravidão ao pecado.

 

Quando falamos de “graça preveniente” estamos pensando na que “precede”, que prepara a alma para a sua entrada no estado inicial da salvação. É a graça preparatória do Espírito Santo exercida para o homem enfraquecido pelo pecado. Pelo que se refere aos impotentes, é tida como força capacitadora. É aquela manifestação da influência divina que precede a vida de regeneração completa.

 

Em um sentido, então, os arminianos, como os calvinistas, creem que a regeneração precede a conversão; o arrependimento e a fé são somente possíveis porque a velha natureza está sendo dominada pelo Espírito de Deus. A pessoa que recebe a total intensidade da graça preveniente (isto é, através da proclamação da Palavra e a chamada interna correspondente de Deus) não mais está morta em delitos e pecados. Entretanto, tal pessoa não está ainda completamente regenerada. A ponte entre a regeneração parcial pela graça preveniente e a completa regeneração pelo Espírito Santo é a conversão, que inclui arrependimento e fé. Estes se tornam possíveis por dádiva de Deus, mas são livres respostas da parte do indivíduo. “O Espírito opera com o concurso humano e por meio dele. Nesta cooperação, contudo, dá-se sempre à graça divina preeminência especial.”

 

A ênfase sobre a antecedência e preeminência da graça forma o denominador comum entre o Arminianismo e o Calvinismo. É o que torna o sinergismo arminiano “evangélico.” Os arminianos levam extremamente a sério a ênfase neotestamentária na salvação como um dom da graça que não pode ser merecido (Ef 2.8). Entretanto, as teologias arminianas e calvinistas – como todos os sinergismos e monergismos – divergem sobre o papel que os humanos desempenham na salvação. Como Wiley observa, a graça preveniente não interfere na liberdade da vontade. Ela não dobra a vontade ou torna certa a resposta da vontade. Ela somente capacita a vontade a fazer a escolha livre para cooperar ou resistir à graça. Essa cooperação não contribui para a salvação, como se Deus fizesse uma parte e os humanos fizessem outra parte. Antes, a cooperação com a graça na teologia arminiana é simplesmente não resistência à graça. É meramente decidir permitir a graça fazer sua obra renunciando a todas as tentativas de auto justificação e autopurificação e admitindo que somente Cristo possa salvar. Todavia, Deus não toma esta decisão pelo indivíduo; é uma decisão que os indivíduos, sob a pressão da graça preveniente, devem tomar por si mesmos.

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Fonte:  Arminianismo

Fonte: Roger E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities, pp. 35-36

Os Cinco Pontos do Calvinismo – introdução

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George L. Bryson

INTRODUÇÃO

 

Por mais de uma década fui entrevistador de um talk show cristão chamado “Biblicamente Falando.” Em muitas ocasiões diferentes, o tópico Calvinismo em geral, e os Cinco Pontos do Calvinismo em particular, era trazido por mim, por um convidado do palco ou por alguém no telefone. Posso claramente me lembrar de uma discussão na qual um convidado calvinista estava debatendo com um arminiano no telefone sobre a questão de se ou não a predestinação era ensinada na Escritura. Quando a questão diante de nós era simplesmente uma questão de afirmar ou negar a predestinação, eu parecia estar do lado do meu convidado calvinista.

O arminiano se surpreendeu com o meu acordo com meu convidado porque ele incorretamente pensava que eu devia ser calvinista por causa deste acordo. Quando expliquei a ele que eu não era calvinista, sua surpresa se transformou em confusão.

Afirmação vs. Definição

Meu convidado então admitiu que ele também ficou surpreso, se não confuso, pois ele também equivocadamente supunha que eu era calvinista porque concordei que a predestinação era ensinada na Escritura. O erro que ambos, meu convidado calvinista e o ouvinte arminiano, tinham cometido era supor que a peculiaridade do Calvinismo é a afirmação calvinista da predestinação. Entretanto, não é a afirmação dos calvinistas desta doutrina que os distingue de outros evangélicos. Antes, é a definição da predestinação pelos calvinistas que os distingue de outros crentes ortodoxos e evangélicos. O estudioso calvinista bastante popular, R. C. Sproul, em seu livro dedicado a definir e defender a visão calvinista da predestinação chama a mesma atenção para este ponto. Ele diz:

Virtualmente, todas as igrejas cristãs têm alguma doutrina formal sobre predestinação. Se a Bíblia é a Palavra de Deus e não mera especulação humana, e se Deus, Ele mesmo, declara que existe tal coisa chamada predestinação, então se segue inevitavelmente que devemos abraçar alguma doutrina de predestinação. [1]

As peculiaridades e as doutrinas do Calvinismo estão (relativas à doutrina da salvação) mais evidentes nos Cinco Pontos do Calvinismo. Para entender os Cinco Pontos como os calvinistas os entendem, você deve vê-los como a expressão da definição calvinista da predestinação. A definição calvinista da predestinação deve por sua vez ser vista como a base da doutrina calvinista da salvação.

O Acróstico de Cinco Pontos

Uma maneira simples e comum de se lembrar dos Cinco Pontos do Calvinismo é usando o acrônimo TULIP.

 

T = Total Depravity (Depravação Total)

U = Unconditional Election (Eleição Incondicional)

L = Limited Atonement (Expiação Limitada)

I = Irresistible Grace (Graça Irresistível)

P = Perseverance of the Saints (Perseverança dos Santos)

 

Embora reconhecendo certo valor no uso deste acrônimo, Sproul também expressa algumas sérias reservas. Ele diz:

Esta lista tem ajudado muitas pessoas a se lembrarem das peculiaridades da teologia reformada. Infelizmente, tem também causado grande confusão e desentendimento. [2]

5 Afirmações ou 5 Doutrinas

Quando fala sobre os Cinco Pontos, um calvinista pode estar se referindo às breves afirmações associadas ao acrônimo TULIP (isto é, Depravação Total, Eleição Incondicional, etc.) ou às verdadeiras doutrinas que são identificadas por estas afirmações e pelas quais o acrônimo serve de lembrete. Você não pode entender a(s) doutrinas(s) dos Cinco Pontos simplesmente lendo muito breves afirmações associadas a estas doutrinas. Isto é, há um significado calvinista específico que deve ser ligado a estas afirmações a fim de que elas sejam entendidas calvinisticamente.

Isto não deve ser encarado como uma crítica das cinco afirmações, pois nunca se pretendeu que elas fossem uma explicação. Dessa forma, cada afirmação calvinista deve ser vista em relação a uma doutrina calvinista correspondente, da mesma maneira que um título de capítulo é visto em relação ao significado completo e a mensagem do próprio capítulo. Por essa razão, uma simples declaração destas afirmações calvinistas, sem uma explicação calvinista precisa, pode ser muito enganadora.

Dirigindo-se aos Calvinistas

Visto que são os Cinco Pontos do Calvinismo que iremos discutir, é razoável que nos voltemos aos calvinistas para uma interpretação e uma explicação destes cinco pontos.

Por essa razão, na discussão que seguirá eu contarei (para uma interpretação das cinco afirmações) em grande quantidade com bem conhecidos teólogos e estudiosos calvinistas, assim como documentos calvinistas históricos e, é claro, João Calvino. Na discussão de tais conceitos como a Depravação Total, conforme usados nos Cinco Pontos, devemos nos lembrar de que eles estão sendo usados em um contexto particular histórico e calvinista. Deixar de manter isto em mente somente levará ao desentendimento e à confusão. De fato, esta é a razão de crer que muitos não-calvinistas podem honestamente (ainda que não precisamente) chamar a si mesmos de calvinistas de um, dois, três ou quatro pontos.

Suave Vs. Rígido

Como logo veremos, há o que eu chamo de formas mais suaves e mais rígidas de Calvinismo. Entretanto, muito do que passa por “Calvinismo moderado” não é Calvinismo coisa nenhuma. Isto é, muitos não-calvinistas não veem nenhum problema com o que eles creem ser um ou mais dos Cinco Pontos (isto é, uma afirmação tal como a Perseverança dos Santos), mas eles estão interpretando estas afirmações não-calvinisticamente (ou inconsistentemente com o “intento autoral”) e a verdadeira doutrina do Calvinismo às quais estas afirmações correspondem.

Coração e Alma

Deve também ser observado que, ainda que o Calvinismo seja mais do que os Cinco Pontos, não há nenhum Calvinismo sem os Cinco Pontos. Um tanto claramente eles representam o coração e a alma do Calvinismo. Dessa forma, verdadeiramente entender os cinco pontos é entender o Calvinismo. Compreender mal os cinco pontos é compreender mal o Calvinismo. De acordo com o notório estudioso calvinista Loraine Boettner:

O sistema calvinista enfatiza especialmente cinco doutrinas distintas. Estas são tecnicamente conhecidas como ‘Os Cinco Pontos do Calvinismo’ e são os principais pilares sobre os quais a superestrutura se apoia. [3]

Por esta razão, deve ser óbvio que a superestrutura do Calvinismo, de modo geral, não é mais firme do que os cinco pilares (isto é, os Cinco Pontos) sobre os quais ela se apoia.

Tudo ou Nada

Boettner continua e explica que:

Estas não são doutrinas isoladas e independentes, mas estão tão inter-relacionadas que elas formam um sistema simples, harmonioso e auto consistente, e a forma com que elas se encaixam como partes componentes de um todo bem ordenado têm conquistado a admiração de homens sérios de todos os credos. Prove que qualquer uma delas é falsa e todo o sistema deve ser abandonado. Todas elas se encaixam perfeitamente umas nas outras. [4]

Por essa razão, deve também ser enfatizado que qualquer tentativa de selecionar um dos Cinco Pontos e tentar interpretar esse ponto (ou adotá-lo) como se ele permanecesse sozinho, é também interpretá-lo não-calvinisticamente. Como diz o teólogo calvinista Gise J. Van Baren:

Os cinco pontos do Calvinismo estão intimamente relacionados. Um ponto pressupõe os outros. [5]

Isto não significa que você não possa honesta e precisamente (em um sentido não-calvinista) dizer que você crê na “Depravação Total” ou “Perseverança dos Santos” e não em (vamos dizer, como muitos fazem) “Expiação Limitada” ou “Graça Irresistível.” Antes, significa que quando você diz que crê em todos eles, você provavelmente não tem a mesma coisa em mente que tem o calvinista. Assim, você pode não falar sobre os Cinco Pontos do Calvinismo per se. O bastante respeitado defensor dos cinco pontos, J. I. Packer, alerta que:

…o próprio fato que a soteriologia calvinista é exposta sob a forma de cinco pontos distintos (um número devido, conforme já explicamos, meramente ao fato de haver cinco pontos arminianos para serem respondidos pelo Sínodo de Dort) tende por obscurecer o caráter orgânico do pensamento calvinista sobre a questão. Pois esses cinco pontos, apesar de declarados em separado, na verdade são indivisíveis uns dos outros. Eles dependem uns dos outros; ninguém pode rejeitar um deles sem rejeitar todos, pelo menos no sentido tencionado pelo Sínodo de Dort. Para o calvinismo, na realidade, há somente um único ponto a ser enfatizado no campo da soteriologia. [6]

Qual é o Ponto?

Packer reduz esse um ponto às palavras “Deus salva pecadores.” Se é a isso que realmente os Cinco Pontos reduzem, eu não teria nenhum problema com os Cinco Pontos. Entretanto, apesar do que diz Packer, como será demonstrado, esse “um ponto” do Calvinismo pode ser comparado a uma moeda de duas faces. Embora raramente, se é que alguma vez foi afirmado de forma tão direta assim, esse “um ponto” pode ser resumido como segue:

Uma pessoa será salva ou condenada por toda a eternidade porque ela foi salva ou condenada desde toda a eternidade.

Isto é, de acordo com o Calvinismo, Deus é tão responsável (e responsável da mesma maneira) por condenar os pecadores que condena quanto é por salvar os pecadores que salva. Isto se tornará particularmente claro em nossa discussão do segundo ponto do Calvinismo (isto é, a Eleição Incondicional).

Por que Eu não Sou Calvinista

Em muitas diferentes ocasiões, tenho ouvido calvinistas dizerem algo como o seguinte:

Se somente cada cristão verdadeiro com um conhecimento prático da Escritura entendesse o Calvinismo em geral e os cinco pontos em particular, ele seria um calvinista de cinco pontos.

Entretanto, como espero que se torne evidente, é precisamente porque eu entendo o Calvinismo em geral e os cinco pontos em particular que eu não sou calvinista – de qualquer tipo. Tenho gasto mais de 27 anos com estudo sério da Escritura. Não poderia sequer começar a calcular as centenas de horas que me dediquei ao estudo da Teologia Bíblica, Sistemática e Histórica. Com grande interesse, tenho também cuidadosamente lido os escritos de calvinistas assim como aqueles considerados mais moderados. Assim como os calvinistas podem e entendem os sistemas de teologia não-calvinistas sem adotá-los, da mesma forma os não-calvinistas, tais como eu mesmo, podem entender o Calvinismo e ainda rejeitá-lo como contrário às Escrituras.

Se você entender o Calvinismo e ainda rejeitá-lo (como eu faço), alguns calvinistas concluirão que você não deve realmente crer na Bíblia como a Palavra de Deus. Nada poderia estar mais longe da verdade para o meu caso como para o caso de centenas de milhares de outros. Todavia, uma rejeição do Calvinismo é interpretada por alguns calvinistas como uma rejeição da Palavra de Deus. Dessa forma, Boettner argumenta que:

A Bíblia desdobra um esquema de redenção que é calvinista do início ao fim, e estas doutrinas são ensinadas com tal inescapável clareza que a questão é estabelecida para todos aqueles que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus. [7]

Outros calvinistas (talvez a maioria) veem a rejeição do Calvinismo pelos cristãos evangélicos como resultado da aceitação do Arminianismo.

Razões Não-Arminianas

Entretanto, quero deixar publicamente claro que eu não estou em desacordo com o Calvinismo por razões “arminianas.” Digo isto porque um mito comum perpetuado por alguns calvinistas, assim como por alguns arminianos, é que se você é um cristão evangélico e não é calvinista, você deve ser arminiano, pelo menos por padrão. Embora concorde com calvinistas e arminianos que estes dois sistemas de teologia são mutuamente exclusivos e, portanto não podem ser ambos verdadeiros, eu enfaticamente discordo que estas são as únicas opções evangélicas e ortodoxas. Entretanto, não estou escrevendo para explicar porque eu não sou arminiano (ou um híbrido teológico chamado “calminiano”). Algum dia eu gostaria de escrever tal livro. Entretanto, esta não é a minha presente preocupação.

Calvinistas Moderados?

Devo também chamar a atenção para o fato que há muitas pessoas que se dizem calvinistas moderados que não se identificarão com os calvinistas que eu aqui cito como representantes do que creio ser o autêntico Calvinismo. Em alguns casos, será devido ao fato que muitas pessoas equivocadamente chamam a si mesmas de calvinistas porque elas aceitaram a ideia que se você não é arminiano, você deve ser calvinista. Outros simplesmente interpretam os Cinco Pontos de uma forma não-calvinista. Frequentemente, é uma combinação de ambos.

Propósito Principal

Meu principal propósito ao escrever este livro é encorajar o leitor que pode estar inclinado a seriamente considerar adotar o Calvinismo a primeiro submeter os Cinco Pontos ao que creio ser (para o Calvinismo) a luz “severa” da Escritura. Como vejo um estudo cuidadoso da Escritura não favorece nem um pouco os Cinco Pontos. Se você já é calvinista, ou pensa que poderia ser eu somente peço que esteja certo de que você está julgando os Cinco Pontos à luz da Escritura e não simplesmente interpretando a Escritura em conformidade com os Cinco Pontos.

Um Pouco de História

Para os interessados em um pouco de história dos Cinco Pontos, deve ser entendido que eles não são apenas um reflexo das opiniões do reformador João Calvino, mas também de Santo Agostinho. Assim como o Sínodo de Dort (o sínodo que primeiro apresentou formalmente estes pontos como os Cinco Pontos do Calvinismo), foi um Sínodo calvinista, da mesma forma João Calvino era um agostiniano. Isto é especialmente verdadeiro em relação à visão agostiniana da predestinação e sua ligação com a salvação dos eleitos e a condenação dos não-eleitos. Co-autor de um dos vários livros chamados Os Cinco Pontos do Calvinismo e escrito para explicar e defender o Calvinismo, o professor Herman Hanko diz que:

De fato, nossos pais em Dordrecht sabiam bem que estas verdades apresentadas nos cânones não poderiam apenas ser traçadas à Reforma de Calvino; elas poderiam ser traçadas à teologia de Santo Agostinho, que viveu quase um milênio antes que Calvino fez sua obra em Genebra. Pois foi Agostinho quem originalmente definiu estas verdades. O próprio Calvino, muitas vezes, presta homenagem à obra de Agostinho e aponta que o que ele está dizendo tinha sido dito antes dele pelo bispo de Hipona. O Sínodo de Dordrecht estava consciente disto. [8]

Boettner concorda. Ele diz:

Foi Calvino quem desenvolveu este sistema de pensamento teológico com tal ênfase e clareza lógica que ele desde então tem carregado seu nome. Ele obviamente não originou o sistema, mas somente demonstrou o que lhe parecia resplandecer tão claramente das páginas da Santa Escritura. Agostinho gerou os princípios básicos do sistema mil anos antes de Calvino ter nascido, e todo o grupo de líderes do movimento da Reforma ensinou o mesmo. Mas foi conferido a Calvino, com seu profundo conhecimento da Escritura, seu aguçado intelecto e gênio sistematizador, demonstrar e defender estas verdades mais clara e habilmente do que tinha sido feito anteriormente. [9]

O teólogo calvinista R. Laird Harris afirma que:

Embora Calvino desse à doutrina reformada sua mais completa formulação, a teologia tinha há muito sido sustentada. Calvino teria sido o primeiro a negar sua inovação… De fato, o Calvinismo é geralmente chamado Agostinianismo. [10]

Ele é Bíblico?

É óbvio que isto, em e de si mesmo, não diz nada de bom nem de mal sobre os Cinco Pontos. Como os escritores calvinistas Steele e Thomas afirmam:

A questão de suprema importância não é como o sistema sob consideração veio a ser formulado em cinco pontos, ou porque ele foi chamado Calvinismo, mas, antes, ele é apoiado pela Escritura? A corte final de apelação para determinar a validade de qualquer sistema teológico é a inspirada e autorizada Palavra de Deus. Se o Calvinismo pode ser verificado por declaração clara e explícita da Escritura, então ele deve ser reconhecido pelos cristãos; se não, ele deve ser rejeitado. [11]

Boettner concorda:

“As Escrituras são a autoridade final pela qual os sistemas são julgados” e que “em todas as questões de controvérsia entre os cristãos, as Escrituras são aceitas como o supremo tribunal de apelação.”.

O respeitado teólogo calvinista, Charles Hodge, disse que:

É dever de todo teólogo subordinar suas teorias à Bíblia, e ensinar não o que lhe parece ser verdadeiro ou razoável, mas simplesmente o que a Bíblia ensina. [13]       

 Com isto entusiasticamente concordamos. Portanto, na metade final deste livro iremos cuidadosamente considerar o que a Escritura tem a dizer sobre as questões que os Cinco Pontos abordam.

O que os Cinco Pontos Não Estão Dizendo

Uma palavra final antes de partirmos para uma explicação do que os calvinistas têm em mente quando falam dos Cinco Pontos do Calvinismo. Como observado anteriormente, muitos evangélicos equivocadamente pensam que aceitam um ou mais de três dos Cinco Pontos e assim verdadeiramente creem que são calvinistas moderados (ou de um, dois ou três pontos). Um exemplo do que quero dizer é encontrado em um artigo intitulado “Os batistas podem se dividir a respeito do Calvinismo.” O autor deste artigo corretamente observa que:

As cinco doutrinas fundamentais do Calvinismo preciso são: A Depravação Total do homem, a eleição incondicional, a expiação limitada, a graça irresistível e a Perseverança dos Santos. [14]

Entretanto, ele imediatamente continua para dizer que:

Muitos batistas do sul não disputariam três destes pontos: a Depravação Total (todos pecaram), a eleição incondicional (os salvos são escolhidos por Deus sem consideração pelo seu próprio mérito) e a Perseverança dos Santos (uma vez salvo sempre salvo). [15]

Visto que os cristãos pensam que a doutrina calvinista da Depravação Total é simplesmente que todos pecaram, ou que a peculiaridade calvinista da eleição incondicional é que a salvação é imerecida ou mesmo que a visão calvinista da perseverança pode ser equiparada à doutrina do “uma vez salvo sempre salvo,” eles continuarão a incorretamente julgarem-se calvinistas.

Enquanto os calvinistas, juntamente com os não-calvinistas, creem que todos pecaram, que a salvação é sem mérito e que uma vez salvo sempre salvo, estas não são exclusivas ao Calvinismo ou até mesmo são peculiaridades suas ou de seus Cinco Pontos.

Explicação antes de uma Avaliação

Dessa forma, deve ser óbvio que sem uma clara e precisa explicação dos Cinco Pontos, uma avaliação justa e bíblica não é possível. Portanto, nesta próxima seção do livro (a primeira de duas principais seções), tentei permitir (tanto quanto possível) que os calvinistas de cinco pontos explicassem o que eles têm em mente quando falam sobre doutrinas como a Depravação Total e a Eleição Incondicional.


[1] R. C. Sproul, Eleitos de Deus, pp. 6, 7.

[2] Ibid., p. 75.

[3] Lorraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1932), 59.

[4] Ibid.

[5] Gise J. van Baren, The Five Points of Calvinism (Grand Rapids, MI: Reformed Free Publishing Assoc., 1976), 91.

[6] J. I. Packer, citado em The Five Points of Calvinism, David N. Steele e Curtis C. Thomas, (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1963), 22-23.

[7] Lorraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, 52.

[8] H. Hanko, H. C. Hoeksema e J. van Baren, The Five Points of Calvinism (Grand Rapids, MI: Reformed Free Publishing Association, 1976), 10.

[9] Lorraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, 3-4.

[10] R. Laird Harris, “Calvinism,” The Wycliffe Bible Encyclopedia, vol. 1 (Chicago, IL: Moody Press, 1975), 293.

[11] David N. Steele e Curtis C. Thomas, The Five Points of Calvinism, 24.

[12] Lorraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, 51.

[13] Charles Hodge, citado em Lorraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, 50.

[14] Mark Wingfield, “Resurgent Calvinism Renews Debate Over Chance for Heaven,” Baptists Today, Feb. 16, 1995 (Vol. 13, No 4).

[15] Ibid.

Uma Objeção à Expiação Ilimitada

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____________________________________________________________________Benjamin Field

A Student’s Handbook of Christian Theology, pp. 155, 156.

Como podemos responder à objeção que, “se Cristo morreu por mais do que aqueles que serão salvos, ele morreu em vão por muitos”?

Supõe-se nesta objeção que os termos sobre os quais ele se ofereceu foram, que todos por quem ele sofreu devem ser salvos. Isto alguma vez é sugerido na Escritura? Nunca. Mas somos claramente informados quanto às condições e termos de sua morte expiadora: “Assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça,” etc. (Jo 3.14, 15) “Quem crer… será salvo.” (Mc 16.16). Se isso falhou, Cristo foi “levantado” em vão, mas isso nunca falhará, e, portanto, embora “quem não crer será condenado,” ele não foi “morto em vão.” “A vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna.” (Jo 6.40)

Mas se ainda for insinuado que parece lançar uma mancha sobre Deus supor que ele usaria meios para a salvação de pecadores que no final das contas se mostrariam ineficazes, eu tenho que dizer que, baseado neste princípio, o glorioso caráter de Deus estaria coberto de manchas. Ele não está diariamente, em sua Providência, usando meios com os pecadores, e nos convites, exortações, advertências, persuasões, incitações, exemplos e comandos de sua palavra? A pregação de Cristo e seus apóstolos nunca foi ineficaz? Quão limitado na visão é o homem! Como podemos ter a certeza de que uma coisa é realmente em vão, pela razão de que, na verdade, ela pode não corresponder ao fim que teríamos esperado? Podemos compreender, como se tivéssemos uma mente infinita, todos os possíveis propósitos de cada obra do Todo-poderoso? Ele desobstruiu o caminho para que todos fossem salvos ao dar seu Filho para morrer por todos, e agora ele convida a todos, comanda a todos, e se todos não obedecem, a glória de seu amor ilimitado ainda é exaltada e mais notavelmente demonstrada pelo próprio fato de que ninguém foi excluído da salvação senão por sua própria insensatez.

Tradução: Paulo Cesar Antunes [1]

Fonte: Arminianismo.com

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