Tomando uma Decisão

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John  Stott John_stott

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Muitas pessoas acham estranho que para se tornar um cristão é preciso tomar uma decisão. Algumas, por terem nascido em um país cristão, acham que já são cristãs. “Afinal”, dizem, “já que não somos nem judeus, nem muçulmanos, nem budistas, provavelmente somos cristãos!” Outras supõem que, por terem recebido uma educação cristã, conhecerem os princípios básicos do cristianismo e adotarem um padrão de comportamento cristão, não precisam de mais nada. Porém, seja qual for a sua formação ou herança familiar, todo adulto responsável precisa tomar uma decisão a favor ou contra Cristo. Não podemos permanecer neutros ou indiferentes, nem deixar que outra pessoa decida por nós. Devemos decidir por nós mesmos.

Mesmo o fato de concordar com tudo que foi escrito até aqui não é suficiente. Podemos admitir que as evidências da divindade de Jesus sejam convincentes ou até mesmo conclusivas, e que ele é de fato o Filho de Deus; podemos crer que ele morreu para ser o Salvador do mundo; podemos também admitir nossa condição de pecadores necessitados de um Salvador. Mas nenhuma dessas coisas nos tornam cristãos, nem mesmo todas elas juntas. Crer em certos fatos sobre a pessoa e a obra de Cristo é uma necessidade preliminar, mas a verdadeira fé transformará essa convicção mental em um ato decisivo de confiança. A convicção intelectual deve conduzir ao compromisso pessoal.

Eu mesmo costumava pensar que a morte de Jesus na cruz havia reconciliado o mundo todo, automaticamente, com Deus. Lembro-me como fiquei confuso, ou mesmo indignado, quando ouvi pela primeira vez que eu precisava considerar a salvação individualmente. Agradeço a Deus por ter aberto meus olhos para que eu reconhecesse Jesus como Salvador, e mais do que isso, o aceitasse como meu Salvador. Por certo o pronome pessoal tem proeminência na Bíblia:

O Senhor é o meu pastor e nada me faltará.

O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

Ó Deus, tu és o meu Deus.

Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Um versículo da Bíblia, que tem ajudado muitos (inclusive eu) a entender esse passo de fé que devemos dar, contém as palavras do próprio Cristo. Ele diz: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”. [1]

Este versículo foi ilustrado por Holman Hunt em seu famoso quadro A Luz do Mundo, pintado em 1853. O original se encontra na capela do Keble College, em Oxford, e a sua réplica (pintada pelo próprio autor 40 anos depois) na Catedral de St. Paul. Não sei se os pré-rafaelitas estão em evidência hoje, mas de qualquer forma o simbolismo dessa pintura é bastante esclarecedor. John Ruskin, em uma carta ao The Times de maio de 1854, usou as seguintes palavras para descrevê-la:

[…] do lado esquerdo da tela podemos ver a porta da alma humana. Ela está trancada; suas dobradiças e pregos estão enferrujados; plantas trepadeiras estão presas e entrelaçadas aos seus umbrais, revelando que nunca foi aberta. Um morcego paira sobre ela. Sua soleira está coberta por amoras silvestres, urtigas e grãos inúteis… Cristo se aproxima dela à noite…

Ele está vestido com um manto real e traz sobre a cabeça uma coroa de espinhos; segura uma lanterna com a mão esquerda (como a luz do mundo) e com a direita bate à porta.

O contexto deste versículo é revelador. Ele se encontra no final de uma carta enviada por Cristo, através de João, à igreja de Laodicéia, situada na atual Turquia. Laodicéia era uma cidade próspera, conhecida por sua produção de roupas, seus prósperos bancos e sua escola de medicina, onde era preparado o famoso pó frígio, um remédio para os olhos.

A prosperidade material havia provocado um relaxamento dos costumes e contaminado até mesmo a igreja cristã. Muitos que se diziam cristãos verdadeiros demonstravam que só tinham o título de cristãos; eram pessoas razoavelmente respeitáveis, nada mais que isso. Seu interesse religioso era superficial e casual. Assim como a água das fontes aquecidas de Hierápolis, que chegava a Laodicéia por um sistema de dutos (as ruínas podem ser vistas até hoje), eles não eram nem frios nem quentes, mas mornos. E por serem mornos, Jesus afirmou que eles lhe causavam aversão. A sua indiferença espiritual é descrita em termos de uma imagem falsa que eles tinham de si mesmos: “Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.

Que dura descrição da orgulhosa e próspera Laodicéia! Eles eram miseráveis, cegos e nus – nus apesar de fabricarem roupas; cegos, apesar de seu famoso remédio para os olhos, e miseráveis, apesar de seus prósperos bancos.

Nós não somos diferentes deles. Dizemos muitas vezes, como eles, que “não precisamos de coisa alguma”. Essas palavras são extremamente perigosas. Esse espírito independente, mais do que qualquer outra coisa, é que nos impede de assumir um compromisso com Cristo. É claro que precisamos de Jesus! Sem ele estamos moralmente nus (sem as vestes apropriadas para nos apresentarmos diante de Deus), cegos para as verdades espirituais, e miseráveis, sem nada para oferecer em troca de nossa salvação. Mas Cristo pode vestir-nos com a sua justiça, tocar nossos olhos para que possamos enxergar, e nos tornar ricos com suas riquezas espirituais. Sem ele, e enquanto não abrimos a porta e o convidamos a entrar, somos miseráveis, cegos e nus.

“Eis que estou à porta, e bato”, ele diz. Ele não é uma fantasia da imaginação, ou um personagem fictício tirado de algum romance religioso. Ele é o homem de Nazaré – suas declarações, seu caráter e sua ressurreição são a garantia de que ele é o Filho de Deus. Ele é também o Salvador crucificado. A mão que bate à porta tem uma cicatriz. Os pés que estão próximos à soleira ainda trazem a marca dos pregos.

Ele é o Cristo ressurreto. João descreveu-o no primeiro capítulo do livro de Apocalipse, ao contemplá-lo em uma visão altamente simbólica. Seus olhos são como chamas de fogo e seus pés como o bronze polido. Sua voz como de um trovão e sua face radiante como o sol do meio-dia. Não é de admirar que João tenha caído a seus pés. É difícil compreender como uma pessoa com tamanha majestade tenha se dignado a visitar pobres, cegos e nus como nós.

Jesus Cristo, no entanto, diz que está à porta de nossas vidas, batendo e esperando. Note que ele está à porta, não forçando a entrada; falando conosco, não gritando. Isso é ainda mais extraordinário quando nos lembramos de que a casa em cuja porta ele está batendo pertence a ele. Ele é o arquiteto; foi ele que desenhou o projeto. Ele é o construtor. Ele é também o proprietário; ele a comprou com seu próprio sangue. Assim, ela pertence a ele, por direito. Somos apenas inquilinos em uma casa que não nos pertence. Ele poderia arrombar a porta, mas prefere bater com a mão, levemente. Ele poderia ordenar que abríssemos a porta para ele; em vez de fazer isso, ele prefere que o convidemos a entrar. Ele não força a entrada na vida de ninguém. Ele diz no versículo 18: “Aconselho-te”. Ele poderia ordenar, mas se contenta em aconselhar. Ele nos trata com condescendência, humildade e liberdade.

Mas por que Jesus Cristo quer entrar? Nós já sabemos a resposta. Ele quer ser nosso Salvador e Senhor.

Ele morreu para nos salvar. Se nós o recebermos, ele irá nos conceder todos os benefícios de sua morte. Uma vez dentro da casa, ele irá reformá-la e mudar a decoração e os móveis. Ou seja, ele irá nos purificar e perdoar; e apagar o nosso passado. Ele promete também que ceará conosco e permitirá que comamos juntos. A frase descreve a alegria de desfrutar da sua companhia. Ele não somente entrega sua vida a nós, como também pede que entreguemos a ele nossas vidas. Nós éramos estrangeiros, agora somos amigos. Havia uma porta fechada entre nós. Agora estamos sentados à mesma mesa.

Jesus Cristo também entrará em nossas vidas como Senhor e Mestre. A casa passará a ser administrada por ele, assim só devemos abrir a porta se estivermos dispostos a deixá-lo tomar conta de tudo. Quando ele se aproximar da soleira, devemos entregar-lhe todas as chaves da casa, permitindo que ele tenha livre acesso a todos os aposentos. Um estudante da quarta série no Canadá, certa vez me escreveu: “Em vez de dar a Cristo várias chaves, uma para cada cômodo da casa, dei a ele uma senha que permite o acesso à casa toda”.

Isso envolve arrependimento, e a firme decisão de abandonar tudo que desagrada a Deus. Isso não significa que precisamos nos tornar pessoas melhores antes de convidá-lo a entrar. Ao contrário, exatamente por não podermos perdoar ou melhorar a nós mesmos é que precisamos que ele venha a nós. Mas devemos estar dispostos a permitir que ele mude o que quiser em nossa casa. Não devemos resistir às mudanças, nem tentar impor condições. Nossa entrega ao senhorio de Cristo deve ser total e incondicional. O que isso representa? Não sei explicar detalhadamente, mas em princípio, significa uma firme decisão de abandonar o pecado e seguir a Cristo.

Você ainda está em dúvida? Acha que não é razoável submeter-se a Cristo no escuro? E certamente não é. Acontece que isso é muito mais razoável que o casamento. No casamento, os cônjuges assumem um compromisso incondicional um com o outro. Eles não sabem o que o futuro lhes reserva. Mas eles se amam e confiam um no outro, por isso, podem assumir o compromisso de amar e cuidar um do outro, “na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza”, até que a morte os separe. Se as pessoas podem confiar umas nas outras, por que não podemos confiar no Filho de Deus? É bem mais razoável assumir um compromisso com Cristo, o Filho de Deus, do que com o mais nobre e admirável ser humano. Cristo nunca irá nos trair ou abusar da nossa confiança.

O que então devemos fazer? Antes de tudo, devemos ouvir a sua voz. É possível fechar os ouvidos para Cristo e ignorar a insistência de seu apelo, mas isso terá trágicas consequências para nós. Algumas vezes ouvimos a sua voz através da nossa própria consciência, outras através de conselhos de outras pessoas. Às vezes em meio a uma derrota moral, ou da sensação de vazio ou de falta de significado de nossa existência. Outras vezes nós a ouvimos por meio de uma inexplicável fome espiritual, ou de uma doença, ou de uma privação, dor ou medo. Seja como for, nós tomamos consciência do fato de que Cristo está lá fora à porta, falando conosco. Ele também pode falar conosco através de um amigo ou pastor ou pelas páginas de um livro. O importante é estar atento para ouvi-la sempre. “Quem tem ouvidos para ouvir”, disse Jesus, “ouça”.

Em seguida, devemos abrir a porta. Tendo ouvido sua voz, devemos atender ao seu chamado. Abrir a porta a Jesus Cristo é um modo figurativo de colocarmos nossa fé nele como nosso Salvador, um ato de submissão a ele como nosso Senhor.

É um ato definitivo. O tempo verbal no grego deixa isso claro. A porta não abre por acaso. Nem está entreaberta. Ela está fechada, e precisa ser aberta. Além disso, Cristo não a abrirá por conta própria. Não há maçaneta na porta no quadro de Holman Hunt. Dizem que ele a omitiu deliberadamente para mostrar que a maçaneta está do lado de dentro. Cristo bate; nós devemos abrir.

É um ato individual. Na verdade, a mensagem foi enviada a uma igreja, a comunidade nominal e morna de Laodicéia. Mas o desafio é para aqueles que estão dentro dela: “Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele”. Todo ser humano deve decidir por si mesmo e dar esse passo individualmente. Ninguém pode tomar essa decisão por você. Seus pais e professores cristãos, pastores e amigos podem apontar o caminho, mas só a sua mão pode girar a maçaneta.

É um ato único. Você pode dar esse passo apenas uma vez. Depois que Cristo entrar, ele travará a porta do lado de dentro. O pecado poderá empurrá-lo ao porão ou ao sótão, mas ele jamais abandonará a casa onde entrou. “De maneira alguma te deixarei, nunca, jamais te abandonarei”, ele diz. Isso não significa que a partir dessa experiência ganharemos asas de anjo ou nos tornaremos perfeitos num piscar de olhos. Você pode se tornar cristão em poucos minutos, mas se tornar um cristão maduro leva tempo. Cristo pode entrar na sua vida, purificá-la e perdoar você em questão de segundos, mas é necessário muito mais tempo para transformar seu caráter e moldá-lo de acordo com a vontade dele. A cerimônia de casamento necessita apenas de alguns minutos para ser realizada, mas são necessários muitos anos para que os noivos encontrem um caminho comum. Assim também acontece quando recebemos a Cristo, um compromisso firmado em poucos minutos precede uma vida inteira de ajustes.

É um ato deliberado. Você não precisa esperar que uma luz sobrenatural venha do céu e brilhe sobre você, nem ser atingido por uma forte experiência emocional. Não. Cristo veio ao mundo e morreu por seus pecados. Ele agora está na porta da frente da casa de sua vida, e está batendo. A decisão é sua. A mão dele está batendo na porta, cabe a você estender a sua mão em direção ao trinco.

É um ato urgente. Não espere muito para tomar uma decisão. O tempo está passando. O futuro é incerto. Você talvez não tenha outra oportunidade como esta. “Não te glories no dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz”. “Como diz o Espírito Santo: Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações”. [2]

Não adie a sua decisão por achar que precisa melhorar para ser digno de receber a Cristo, ou resolver todos os seus problemas primeiro. Se você crê que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que ele morreu para ser o seu Salvador, isso é suficiente. O resto virá no devido tempo. Certamente essa é uma decisão que não deve ser tomada de forma precipitada ou temerária; mas adiá-la pode ser perigoso. Se o seu coração está lhe dizendo para abrir a porta agora mesmo, não deixe para depois.

É um ato indispensável. É claro que a vida cristã é muito mais que um ato. Como veremos no próximo capítulo, a vida cristã inclui desfrutar da comunhão com os irmãos, descobrir a vontade de Deus e se dispor a cumpri-la, crescer na graça e no conhecimento de Deus, servir a Deus e aos homens. Tudo começa com esse primeiro passo, e nada poderá ser feito sem ele. Você pode crer em Cristo racionalmente, e admirá-lo como pessoa; pode orar a ele através do buraco da fechadura (eu fiz isso por muitos anos); pode oferecer a ele algumas moedas, passando-as por debaixo da porta, a fim de mantê-lo quieto; pode ter um comportamento correto, decente, justo e bom; pode ser religioso; pode ter sido batizado e crismado; pode ter um profundo conhecimento da filosofia da religião; pode ser um estudante de teologia ou até mesmo pastor de uma igreja – e mesmo assim ainda não ter aberto a porta a Cristo. Não há nada que substitua este ato.

C. S. Lewis, conhecido pensador cristão, descreve em sua autobiografia intitulado “Surpreendido pela Alegria”, uma experiência que lhe aconteceu durante uma viagem de ônibus:

Sem palavras e (eu acho) sem imagens, um fato a meu respeito me foi de algum modo revelado. Eu percebi que havia uma barreira, que eu estava impedindo alguma coisa de entrar. Ou se você preferir, como se eu estivesse vestindo uma roupa apertada, uma espécie de colete ou espartilho, ou mesmo uma armadura. Senti então que eu era livre para decidir por mim mesmo. Eu poderia abrir a porta ou mantê-la fechada. Poderia me livrar da armadura ou continuar dentro dela. Nenhuma das escolhas me foi apresentada como uma obrigação; não havia nenhuma ameaça ou promessa atrelada a qualquer uma delas, mas eu sabia que abrir a porta ou tirar a armadura era uma decisão extremamente importante… Eu escolhi abrir, destravar, soltar as amarras. Eu digo “escolhi”, embora não me parecesse realmente possível fazer o contrário.

Uma senhora distinta atendeu ao convite de Billy Graham para ir à frente ao final de uma campanha evangelística. Ela foi acompanhada por um conselheiro que, percebendo que ela ainda não havia tomado uma decisão por Cristo sugeriu que orassem ali mesmo. Abaixando a cabeça, ela orou: “Querido Senhor Jesus, quero que tu entres em meu coração mais que qualquer outra coisa no mundo. Amém”.

Um jovem estudante ajoelhou-se ao lado de sua cama, num domingo à noite, no dormitório de sua escola. De maneira simples e direta, ele contou a Cristo o quanto sua vida estava confusa, confessou os seus pecados; agradeceu a Cristo por ter morrido por ele e pediu-lhe que entrasse em sua vida. No dia seguinte, escreveu em seu diário:

Ontem foi realmente um dia especial!… Até esse dia Cristo estava na periferia da minha vida; eu pedia a ele para guiar meus passos, mas não lhe dava o controle completo. Então eu percebi que ele estava à porta, e batendo. Eu ouvi e abri a porta. Agora ele está dentro da minha casa. Ele purificou-a e agora reina dentro dela…

E no dia seguinte:

Eu realmente senti uma enorme e nova alegria por todo o dia. Aquela alegria que você sente por estar em paz com o mundo e em contato com Deus. Sei, agora que ele reina sobre mim, que eu nunca o havia conhecido antes…

Estes trechos foram extraídos do meu diário. Achei que devia citá-los porque não quero que você fique com a impressão de que estou lhe dizendo para fazer algo que eu mesmo não tenha feito.

Você é cristão? Um cristão verdadeiro e comprometido? A sua resposta depende de outra pergunta. Não vou perguntar se você vai à igreja, se acredita em Jesus, ou se tem uma vida decente (embora todas essas coisas sejam importantes). Minha pergunta é: de que lado da porta está Jesus Cristo? Do lado de dentro ou do lado de fora? Esta é uma questão fundamental.

Talvez você esteja pronto a abrir a porta para Cristo, talvez tenha dúvidas se já fez isso antes. Se não tem certeza, procure se certificar, nem que você tenha que escrever com tinta o que já escreveu a lápis (como alguém já disse).

Sugiro que você procure um lugar para ficar a sós e orar. Confesse seus pecados a Deus e os abandone. Agradeça a Jesus Cristo por ter morrido por você e em seu lugar. Abra então a porta e peça para ele entrar como seu Salvador e Senhor.

Talvez você queira repetir esta oração em seu coração:

Senhor Jesus Cristo, reconheço que vivi até agora do meu jeito. Pequei em pensamentos, palavras e atos. Peço perdão pelos meus pecados, e deixo-os, arrependido. Creio que tu morreste por mim, levando os meus pecados em teu próprio corpo. Agradeço a ti por teu grande amor.

Agora eu abro a porta e peço que entres. Entre, Senhor Jesus. Entre como meu Salvador, e purifique a minha vida. Entre como meu Senhor e tome o controle da minha vida.

Se você orou com sinceridade, agradeça humildemente a Cristo por ter entrado em seu coração. Ele disse que entraria, pois ele mesmo afirmou: “Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta entrarei em sua casa”. Não leve em conta o que você está sentindo; confie na promessa; e agradeça a ele por manter sua palavra.

Fonte: Cristianismo Básico, pp. 167-179.

 

Ap 3.20. Pv 27.1; Hb 3.7-8.

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Pós-Calvinismo: 2. Palestras em Trinity

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 Scot McKnight

Um dos cursos que lecionei em Trinity, NT 612, incluía uma análise do livro de Hebreus. E uma ou duas vezes lecionei Exegese Avançada e seguíamos pela totalidade do texto grego de Hebreus. Os cursos me estimulavam profundamente, e devo dizer que de um modo geral os estudantes ficavam atentos à significação dos tópicos que estávamos discutindo. (Não que eles ficavam atentos quando falávamos sobre Melquisedeque.).

 

Um dos pontos centrais de minhas palestras foram as Passagens de Advertências. Há cinco delas. Gostaria de copiá-las todas nesta mensagem, mas ocupariam espaço demais. Aqui estão elas:

 

1. Hb 2.1-4

2. Hb 3.7-4.13

3. Hb 5.11-6.12

4. Hb 10.19-39

5. Hb 12.1-29

 

Destas, a número 3 atrai toda a atenção, e especialmente 6.4-6, que é como segue:

 

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.

 

Estes versículos merecem toda a atenção que têm, mas os outros merecem mais do que estão tendo. É comum a muitos leitores da Bíblia encontrar em Hb 6.6 (“e caíram”) um sentido desconcertante que este texto parece sugerir que eles podem perder sua fé, apostatarem-se, e nunca serem restaurados ao arrependimento, e isto significa uma má notícia. Muitos respondem fazendo uma análise minuciosa do texto, isolando cada expressão, perguntando se talvez ele não seja tão desagradável como realmente parece, e acabam (em muitos casos)crente desistindo convencidos de que este texto na verdade não ensina que um crente pode “perder sua salvação.”.

 

Elaborei duas propostas em um artigo de jornal que escrevi em 1992, e quero desenvolvê-las com vocês para ver o que pensam de minhas sugestões.

 

Mas voltemos para a minha classe: o que eu pensei que faria era apresentar tão claramente quanto possível um entendimento alternativo das Passagens de Advertências em Hebreus. Para fazer isto, passei horas e horas trabalhando nestas passagens em seus contextos e então chegando a uma conclusão sobre elas.

 

Então, sugeri nessa classe que examinássemos conjuntamente duas propostas: a primeira, que considerássemos analisar as Passagens de Advertências como um todo. Isto é, ler cada uma em seu contexto, mas também compará-las em conjunto enquanto fazendo basicamente as mesmas coisas. Isto nos permitiria sintetizar estas passagens em um todo significativo. A segunda, eu descobri que quando fazemos isto, encontramos quatro características em cada Passagem de Advertência.

 

Aqui está o que descobri e o que disse àquela classe (e cada uma depois dessa). Cada passagem tem:

 

1. A audiência ou as pessoas: trata-se de quem? Do que o autor as chama?

 

2. O pecado sobre o qual o autor alerta esta audiência: o que pensa que elas podem estar fazendo?

 

3. A exortação que o autor dá cada vez: o que eles devem fazer ao invés do pecado?

 

4. As consequências que o autor explica se eles não responderem à sua exortação: o que acontecerá se eles não responderem corretamente?

 

Eis o que aconteceu nessas classes: geralmente os estudantes concordavam com as conclusões que tirávamos de cada parte das Passagens de Advertência. Agora, como sabemos, minhas conclusões eram que o autor alertava a audiência da apostasia e os alertava para que eles não se privassem de sua salvação. O que me surpreendeu foi o número de estudantes que concordou comigo. Afinal de contas, eles eram daqueles evangélicos conservadores leais que em geral acreditavam na segurança eterna, certeza de salvação e ideias afins.

 

Esforçar-me-ei ao máximo para ser específico amanhã, mas faremos um bom progresso. Começarei com a número 4 e percorrerei toda a lista.

 

Por agora, gostaria de desafiar vocês a lerem esses textos e pensarem sobre essas quatro categorias para cada Passagem de Advertência.

Fonte: http://www.patheos.com/community/jesuscreed/2005/07/29/post-calvinism-trinity-lectures/

Tradução: Paulo Cesar Antunes