Calvinismo e Arminianismo: O que Eles Querem Preservar?

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__________________________________________________________________John Mark Hicks

Houve um significante interesse durante a década passada em um ressurgente Calvinismo (ou Teologia Reformada). Alguns chamam de um “Novo Calvinismo” (conforme o livro de Collin Hansen, Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey with the New Calvinists). A popularidade de John Piper assim como a renovação do Calvinismo entre os Batistas do Sul (especificamente o Seminário Teológico Batista do Sul) é um indício de uma nova oscilação da tradição reformada. Leia uma análise e discussão deste novo fenômeno aqui.

A blogosfera está repleta de discussões contínuas entre arminianos e calvinistas. Minha lista de blogs contém dois desses sites – Evangelical Arminians e Desiring God de John Piper. A discussão aparentemente é interminável.

A minha própria educação foi no Seminário Teológico de Westminster de 1977-1979 (M.A.R) e 1981-1985 (Ph.D.). Conseqüentemente, tenho certa familiaridade com a tradição reformada, particularmente a Confissão de Fé de Westminster. Ao mesmo tempo cresci na tradição amplamente arminiana Stone-Campbell (em muitos casos de natureza mais pelagiana que arminiana) e tenho lecionado em escolas dentro dessa tradição por vinte e cinco anos. Tenho certa familiaridade com o Arminianismo também. De fato, uma vez contei aos meus professores de Westminster que meus estudos bíblicos, teológicos e históricos em Westminster tinham me ajudado a passar do Pelagianismo para o Arminianismo, mas eu não pude me decidir pelo Calvinismo.

Tenho uma muito profunda apreciação pela teologia reformada como um todo, embora eu não possa adotar o próprio sistema teológico caracterizado pela TULIP. Meus livros sobre teologia sacramental, por exemplo, evidenciam uma grande dívida às formulações reformadas. Mas eu também tenho uma profunda apreciação pelo Arminianismo clássico (do próprio Arminius) e sua expressão evangélica associada a Wesley.

É importante, penso, entender o que os calvinistas e arminianos pensam que é tão importante – o que é que eles querem preservar? Esta é uma pergunta crucial. Pode ser um ponto de partida significante para uma mútua apreciação ainda que não possam encontrar um acordo pleno.

No centro da teologia reformada está o desejo de dar a Deus toda a glória e excluir toda a jactância humana na obra de salvação. A fé é totalmente encontrada na graça eletiva e obra soberana de Deus. A base da eleição é a própria vontade de Deus. Os humanos não podem se gabar de sua salvação em relação a algo dentro de si mesmos; a salvação tem sua raiz no decreto divino da eleição. Os calvinistas buscam preservar a glória de Deus como a única causa da salvação.

No centro da teologia arminiana está o desejo de proclamar o amor de Deus a toda a humanidade – toda e qualquer pessoa humana. A filantropia de Deus é a raiz da salvação e este amor se estende a todos; Deus não deseja a perda de um único ser humano. Os arminianos buscam preservar a fidelidade de Deus ao seu constante amor por cada uma de suas criaturas.

Os dois se duelam na resposta à pergunta, “Por que alguns são condenados?” O calvinista responde: “porque eles não foram escolhidos” (ou mais especificamente, eles são condenados por causa de seu próprio pecado e Deus preferiu deixá-los aí). O arminiano responde: “porque eles não creram” (ou mais especificamente, a incredulidade é uma rejeição humana da oferta divina graciosa de salvação). Os calvinistas acusam os arminianos de tornar a fé uma causa meritória da salvação, o que torna uma base de jactância e deprecia a glória de Deus (em outras palavras, os humanos salvam a si mesmos com sua própria fé). Os arminianos acusam os calvinistas de subordinar o amor de Deus à glória de Deus visto que Deus deixa alguns em seus pecados para demonstrar sua justiça assim como visando sua própria glória (em outras palavras, ele ama sua própria glória mais do que ama seu mundo).

Os calvinistas perguntam como a fé como um ato humano não se torna uma obra humana de justiça se Deus não escolheu uma pessoa para a fé como resultado de sua própria graça. Os arminianos perguntam por que todos não crêem se a única causa da fé é a obra graciosa de Deus na eleição e Deus ama todas as pessoas. O calvinista quer preservar a glória de Deus e o arminiano quer preservar o amor de Deus.

Enfim – pelo menos num nível teórico ou no contexto do debate arminiano/calvinista – alguém deve escolher qual é a prioridade do coração de Deus: sua glória ou seu amor? Ou, temos mesmo que escolher? Este é um assunto para outro post.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

Fonte: Arminianismo.com

 

A Beleza de Jesus Cristo

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_____________________________________________________________________C. I. Scofield

Em Ct 5.16 lemos: “… ele é totalmente desejável.” Isso não pode ser dito a respeito de nenhum outro a não ser de Jesus Cristo. Qualquer outra grandeza é corrompida por pequenez, qualquer outra sabedoria é arrasada por tolice, qualquer outra bondade vem maculada por imperfeição. Jesus Cristo é o único do qual se pode afirmar que n’Ele tudo é amável e belo.

Sua beleza reside em Sua perfeita humanidade. Ele se identificou conosco em tudo, exceto com nosso pecado e com nossa natureza má. Ele teve de crescer fisicamente – como nós – mas Ele também cresceu na graça. Ele trabalhou, chorou, orou e amou. Em todas as coisas Ele foi tentado como nós – mas permaneceu sem pecado.

Como Filho de Deus, Ele entra em nossa vida no século XX de maneira tão simples e natural como se tivesse morado em nossa rua. Ele é um dos nossos em tudo. Ele entra em uma vida cheia de pecado assim como um rio limpo e transparente lança suas águas em um lago parado. O rio não teme a contaminação, é ele que limpa o lago com sua força.

Cristo também possui perfeita compaixão. Pensemos apenas no “rebanho sem pastor” ou na viúva enlutada de Naim. Será que alguma vez você viu Jesus procurando pessoas que “mereciam” que Ele se compadecesse delas? Dele está escrito simplesmente que: “… compadeceu-se dela e curou os seus enfermos” (Mt 14.14b). Que glória reside em sua misericórdia! Naquela época significava contaminação a aproximação com os pobres leprosos, mas o contato com a mão de Jesus os curava e purificava.

A perfeita humildade de Jesus Cristo é extremamente amável. Ele, o único que poderia ter escolhido como desejava nascer, entrou nesta vida como um dentre muitos. Ele disse: “… no meio de vós, eu sou como quem serve” (Lc 22.27b), e está escrito que Ele “deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo 13.5). E também está escrito que Ele “quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1Pe 2.23).

Jesus Cristo também possui perfeita mansidão. Como Ele é meigo, mas também fiel, altruísta e devotado. Quando falou com a mulher calada, desesperada, depois que os seus acusadores foram se retirando um por um, toda a Sua amável mansidão se mostrou.

Até na hora da Sua morte, Ele ouviu o clamor de uma fé em desespero. Antigamente, quando os vencedores voltavam das guerras, traziam seus prisioneiros mais importantes como troféus de vitória. Para Jesus Cristo foi suficiente chegar ao céu trazendo a alma de um ladrão.

Finalmente, olhemos para Seu perfeito equilíbrio interior. Ainda poderíamos falar muito sobre Sua dignidade, sua varonilidade, sobre Sua coragem. Nele se unem traços de um caráter perfeito e formam um equilíbrio maravilhoso. Sua mansidão nunca é delicada demais, sua coragem jamais é bruta.

Ele não é totalmente desejável? Você quer aceitá-lO como Salvador pessoal e igualmente descobrir Sua glória? Ele próprio disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47).

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Fonte: Arminianismo.com