Pós-Calvinismo: 4. Exortação

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Scot McKnight

 

As Passagens de Advertências de Hebreus, que vem inquietando tanto crentes comuns quanto estudiosos profissionais há séculos, têm quatro elementos: a audiência, o pecado, a exortação e as consequências. Examinaremos hoje a exortação. Em minha própria jornada, este tópico era mais crítico do que eu percebia, e ele é mais importante do que muitos parecem pensar. Trata-se de perseverança.

 

Aqui estão alguns termos que o autor usa pelo qual ele espera que sua audiência faça ao invés de apostatar-se:

 

2.1: atentarmos mais diligentemente

3.6, 14; 10.23: conservarmos firmes

3.13: exortai-vos uns aos outros

4.1: temamos

4.11: procuremos diligentemente

4.14: retenhamos firmemente

6.1: prossigamos até a perfeição

10.35: não lanceis fora a vossa confiança

10.36: necessitais de perseverança

12.1: corramos com perseverança

12.7: é para disciplina que sofreis

12.12: levantai as mãos cansadas, e os joelhos vacilantes

12.15: tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus

12.25: vede que não rejeiteis

 

Se fôssemos escolher um termo para colocar tudo isso em um, ele seria “perseverança” ou “fidelidade”. Ela é tanto mental quanto pessoal: tanto sabemos que Deus é fiel quanto ativamente nos entregamos à graça e capacitação de Deus.

 

Tanto os calvinistas quanto os arminianos concordam com este ponto: cada um precisa perseverar. Algo bem estranho tem acontecido no evangelicalismo americano: ele vem ensinando, se num tom alto ou não, a ideia do “uma vez salvo, sempre salvo” como se a perseverança não fosse necessária. Em outras palavras, ele vem ensinando que se uma pessoa começa, mas depois decide deixar de viver para Cristo, essa pessoa está eternamente segura. Isso é tolice. A perseverança é um indicador do que se trata a fé: uma relação duradoura, marcada por um amor invariável. Ninguém iguala o casamento a uma afirmação de propósito no dia da cerimônia, e ninguém deve igualar a fé a uma decisão.

 

O que significa perseverar? Significa que continuamos a crer, que vivemos dessa forma. Não significa impecabilidade; não significa que sejamos constantemente inclinados à santificação; não nega o tropeço ou a espiritualidade desordenada. Não nega a dúvida e os problemas. Simplesmente significa que a pessoa continua a caminhar com Jesus e não se distancia dele.

 

As duas próximas mensagens serão grandes: qual é o pecado e quem é a audiência?

 

Fonte: http://www.patheos.com/community/jesuscreed/2005/08/01/post-calvinism-exhortation/

 

Tradução: Paulo Cesar Antunes

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Pós-Calvinismo: 2. Palestras em Trinity

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 Scot McKnight

Um dos cursos que lecionei em Trinity, NT 612, incluía uma análise do livro de Hebreus. E uma ou duas vezes lecionei Exegese Avançada e seguíamos pela totalidade do texto grego de Hebreus. Os cursos me estimulavam profundamente, e devo dizer que de um modo geral os estudantes ficavam atentos à significação dos tópicos que estávamos discutindo. (Não que eles ficavam atentos quando falávamos sobre Melquisedeque.).

 

Um dos pontos centrais de minhas palestras foram as Passagens de Advertências. Há cinco delas. Gostaria de copiá-las todas nesta mensagem, mas ocupariam espaço demais. Aqui estão elas:

 

1. Hb 2.1-4

2. Hb 3.7-4.13

3. Hb 5.11-6.12

4. Hb 10.19-39

5. Hb 12.1-29

 

Destas, a número 3 atrai toda a atenção, e especialmente 6.4-6, que é como segue:

 

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.

 

Estes versículos merecem toda a atenção que têm, mas os outros merecem mais do que estão tendo. É comum a muitos leitores da Bíblia encontrar em Hb 6.6 (“e caíram”) um sentido desconcertante que este texto parece sugerir que eles podem perder sua fé, apostatarem-se, e nunca serem restaurados ao arrependimento, e isto significa uma má notícia. Muitos respondem fazendo uma análise minuciosa do texto, isolando cada expressão, perguntando se talvez ele não seja tão desagradável como realmente parece, e acabam (em muitos casos)crente desistindo convencidos de que este texto na verdade não ensina que um crente pode “perder sua salvação.”.

 

Elaborei duas propostas em um artigo de jornal que escrevi em 1992, e quero desenvolvê-las com vocês para ver o que pensam de minhas sugestões.

 

Mas voltemos para a minha classe: o que eu pensei que faria era apresentar tão claramente quanto possível um entendimento alternativo das Passagens de Advertências em Hebreus. Para fazer isto, passei horas e horas trabalhando nestas passagens em seus contextos e então chegando a uma conclusão sobre elas.

 

Então, sugeri nessa classe que examinássemos conjuntamente duas propostas: a primeira, que considerássemos analisar as Passagens de Advertências como um todo. Isto é, ler cada uma em seu contexto, mas também compará-las em conjunto enquanto fazendo basicamente as mesmas coisas. Isto nos permitiria sintetizar estas passagens em um todo significativo. A segunda, eu descobri que quando fazemos isto, encontramos quatro características em cada Passagem de Advertência.

 

Aqui está o que descobri e o que disse àquela classe (e cada uma depois dessa). Cada passagem tem:

 

1. A audiência ou as pessoas: trata-se de quem? Do que o autor as chama?

 

2. O pecado sobre o qual o autor alerta esta audiência: o que pensa que elas podem estar fazendo?

 

3. A exortação que o autor dá cada vez: o que eles devem fazer ao invés do pecado?

 

4. As consequências que o autor explica se eles não responderem à sua exortação: o que acontecerá se eles não responderem corretamente?

 

Eis o que aconteceu nessas classes: geralmente os estudantes concordavam com as conclusões que tirávamos de cada parte das Passagens de Advertência. Agora, como sabemos, minhas conclusões eram que o autor alertava a audiência da apostasia e os alertava para que eles não se privassem de sua salvação. O que me surpreendeu foi o número de estudantes que concordou comigo. Afinal de contas, eles eram daqueles evangélicos conservadores leais que em geral acreditavam na segurança eterna, certeza de salvação e ideias afins.

 

Esforçar-me-ei ao máximo para ser específico amanhã, mas faremos um bom progresso. Começarei com a número 4 e percorrerei toda a lista.

 

Por agora, gostaria de desafiar vocês a lerem esses textos e pensarem sobre essas quatro categorias para cada Passagem de Advertência.

Fonte: http://www.patheos.com/community/jesuscreed/2005/07/29/post-calvinism-trinity-lectures/

Tradução: Paulo Cesar Antunes